Leclerc Gouesnou Brest Métropole: Maël Sicot, Marie Lohéac-Bouchard e Maël Gouyette triunfam
Publicado em qui., 10 de setembro de 2026
Atualizado em qui., 10 de setembro de 2026
Em Gouesnou, a Bretanha encontrou-se com o coração e as pernas. No domingo, sob um céu de Brest prestes a desabar, Maël Sicot (30:19) assinou um regresso triunfal aos 10 km da Leclerc Gouesnou Brest Métropole, recuperando o trono após um ano difícil. Marie Lohéac-Bouchard impôs a sua autoridade com uma vitória clara em 33:42, novo recorde da prova. Nos 5 km, Maël Gouyette também fez história com 14:01, dando um toque olímpico a um fim de semana em grande. Ao todo, 1.800 corredores, recordes, lágrimas e sorrisos: a festa bretã teve ritmo e personalidade.
No domingo, 12 de outubro de 2025, Gouesnou (Finistère) viveu uma tarde intensa e elétrica. O encontro da Leclerc Gouesnou Brest Métropole não era apenas uma corrida: era o palco dos Campeonatos da Bretanha de 2025, uma oportunidade para os corredores bretões mostrarem a sua ambição, resistência e determinação. Com 1.800 participantes nos percursos de 5 e 10 km, um novo recorde da prova, o pelotão era compacto e o ambiente, palpável. O programa estava bem definido: partida dos 5 km às 15h15 e dos 10 km às 16h15. O percurso dos 10 km, composto por duas voltas de 5 km, oferecia mudanças de ritmo e troços rápidos, mas nunca totalmente planos, um terreno ideal para os estrategas. E o espetáculo esteve à altura das expectativas.
Maël Sicot: o regresso de um velho rei
Quando um campeão lesionado regressa, há sempre alguma apreensão. Observamo-lo de soslaio, porque cada passada carrega fragilidade e vontade. Para Maël Sicot, este domingo teve tudo de uma vingança, de uma aposta no corpo e na mente. Vencedor em 2022 e 2023, Sicot falhara a edição de 2024 devido a um quadricípite problemático. Muitos ainda o imaginavam em recuperação, na linha de partida como quem caminha sobre uma corda bamba. Mas, desde os primeiros quilómetros, estava lá na frente, a ditar o ritmo, a lançar ataques e a testar as reações dos adversários.
Ao quilómetro 5, o detentor do recorde do percurso, 29:15 em 2022, e os seus companheiros já corriam a um ritmo desenfreado, passando em 15:03. Depois, a corrida transformou-se numa « dança da dor »: cada mudança de ritmo era uma aposta, cada resposta, um minuto roubado. Sicot acelerou ao 4.º quilómetro, deixou os rivais sem resposta e Benoit Fanouillère ripostou ao 6.º. Nos dois quilómetros finais instalou-se uma guerra de nervos, mas quem quebraria primeiro? Foi ao sprint que Sicot levantou os braços, em 30:19, à frente de Fanouillère, 30:24. « Hoje não me sentia o mais forte, mas talvez fosse o mais esperto », confessou, de olhos marejados. Falou das dúvidas na reta final, do cansaço entre os esforços e do medo de ceder. Ainda assim, este mestre do jogo soube impor a sua lei.
À frente, por uma margem mínima, do jovem talento da Drôme Maël Henric (3.º em 30:25), Benoit Fanouillère, que perdeu terreno na reta final, admitiu não ter « desculpa nenhuma »: as pernas não responderam, mas o respeito pelo vencedor permanece. O atleta das Côtes-d’Armor já olha para o corta-mato de seleção de Allonnes, na esperança de dar a volta por cima. A história de Sicot em 2025 parece saída de uma fábula: a de um guerreiro que regressou à frente de batalha, mais maduro, mais calculista, sem renunciar à glória.
Terceira vitória consecutiva para Marie Lohéac-Bouchard
Se há uma corrida em que ser favorita não é um defeito, é precisamente a de Marie Lohéac-Bouchard. Campeã francesa de 10 km em 2025, chegou a Gouesnou cheia de confiança e com um objetivo claro: voltar a inscrever o seu nome na prova, desta vez apagando o recorde. Conseguiu. Com 33:42, a médica interna de medicina física e reabilitação em Brest pulverizou a anterior melhor marca, 33:53 em 2024, deixando pouco espaço para o suspense. A atleta do Iroise Athlétisme contou que procurou partir para ritmos de 33:30, mantendo-se sempre bem integrada num grupo onde « as sensações eram boas », sem gastar energia excessiva para conseguir chegar forte ao fim. Natural de Paimpol, subiu pela terceira vez consecutiva ao lugar mais alto do pódio dos 10 km de Gouesnou.
O seu pragmatismo entende-se melhor quando se olha para o contexto: além da prova do dia, está a lutar pelo acesso às seleções de corta-mato, em Allonnes e Carhaix, e ao Europeu. Este tempo, em casa, surge assim como uma promessa cumprida, uma carta jogada com segurança. O pódio feminino parece um refrão conhecido: Laëtitia Bleunven (35:24) e Mazarine Amis (35:37) completaram a classificação, na mesma configuração do ano passado. Um sinal de que, entre as mulheres bretãs, consistência rima com competitividade.
5 km: Gouyette manda, Nédélec ganha força
Antes da partida dos 10 km, os 5 km já tinham encontrado o seu vencedor. Num formato rápido e nervoso, o atleta com o currículo mais pesado impôs-se: Maël Gouyette, corredor de 1.500 m nos Jogos Olímpicos de Paris, estabeleceu uma nova referência no percurso, completando os 5 km em 14:01, menos 26 segundos do que o anterior recorde, pertencente a Benoît Campion. Mas a vitória não veio sem resistência. Sébastien Nédélec regressou forte, mudou de ritmo a meio da prova e empurrou a fadiga para longe. No final, terminou em 14:05, muito perto do objetivo, mas satisfeito com um tempo sólido e com o novo patamar alcançado.
Nédélec, em evolução nesta temporada, mostra que quer tempos mais rápidos e ambições maiores. Já definiu o próximo objetivo: baixar dos 30:10 nos 10 km. No pódio masculino, Pierre Couzinier terminou em 3.º, com 14:41. Nos 5 km femininos, Gaëlle Muderhwa surpreendeu Marion Le Goff na reta final, com ambas creditadas em 17:25, e Manon Le Fur completou o pódio em 18:06.
O legado desta edição
Para lá dos resultados, Gouesnou 2025 deixou várias marcas:
Uma adesão em forte crescimento: o aumento do número de participantes, com o recorde de 1.800, mostra como a corrida se afirma e ganha raízes na Bretanha.
Um pelotão de alto nível: receber atletas de elite, olímpicos e corredores selecionáveis para o corta-mato confirma a ascensão de uma prova que se consolidou após a sua oitava edição.
Histórias humanas: Sicot regressa de uma lesão, Gouyette recupera de uma fratura e Lohéac-Bouchard concilia carga de treino com ambições internacionais. Cada tempo conta uma história.
Um trampolim para o inverno: muitos corredores encararam esta prova como uma etapa da preparação para o corta-mato, as seleções e os objetivos de fim de ano.
Uma identidade bretã reforçada: a dimensão de «campeonato regional» dá outro significado à vitória e alimenta o orgulho local.
✔ Consulte todos os resultados da 8.ª edição dos 5 e 10 km da Leclerc Gouesnou Brest Métropole.