Grand Raid du Finistère celebra terceira edição com espírito de aventura bretão
O Grand Raid du Finistère não é uma corrida como as outras. O evento nasceu logo após a Covid, em 2020, quando um corredor perguntou a François Hinault, hoje organizador, se ele topava dar a volta à península de Crozon. François aceitou e decidiu abrir a aventura a quem quisesse participar. Cerca de cinquenta curiosos se lançaram nas duas distâncias propostas, 140 km e 57 km. A partida e a chegada aconteciam... no jardim da mãe de François Hinault. O princípio é simples: cada corredor parte quando quiser, entre as 17h e as 18h, seguindo uma rota GPX. Hoje, o número de inscritos é cem vezes maior. Para a terceira edição, marcada para 19 e 20 de setembro, são esperados 2.000 participantes e 300 voluntários.
François Hinault, idealizador do Grand Raid du Finistère (GRF), também é ultratrail runner. Com este evento, o bretão, que viveu 20 anos em Telgruc-Sur-Mer, quer valorizar os tesouros naturais da sua terra natal. Para ele, o GRF é uma excelente forma de superar os próprios limites. A sua luta é contra o sedentarismo, tema que também aborda no podcast «L’instant Outdoor».
A organização quer oferecer aos corredores uma experiência diferente, destacando-se do grande número de provas realizadas na França. Há vários formatos, individuais e em revezamento. Nas provas individuais, estão o GRF166 (166 km, 3.700 m de desnível positivo), o GRF92 (92 km e 2.100 m D+), o GRF56 (56 km e 1.200 m D+) e o GFR18 (18 km e 300 m D+). No revezamento, há também o Relais à 4: a distância ultra de 166 km é dividida entre os participantes, em trechos de 38, 37, 36 e 55 km. As condições de prova são as mesmas para os corredores individuais.
Percursos variados em cenários tipicamente bretões
Entre falésias, trilhas costeiras e florestas à beira-mar, o percurso é de tirar o fôlego. Ele atravessa 12 municípios, e a maior parte do itinerário acompanha o oceano. Os corredores também terão de subir o Ménez Hom, a 330 m de altitude, ponto mais alto da prova. A passagem acontece ao pôr do sol, que realça a vista panorâmica da península. Depois, os mais resistentes descem durante a noite em direção à enseada de Brest, até a Pointe des Espagnols. Em seguida, os corredores percorrem longos trechos da trilha costeira, passando por pontos emblemáticos como a Pointe de Pen-Hir, o Cap de la Chèvre e a praia da ilha Vierge. O trecho entre o Cap de la Chèvre e Morgat, no quilômetro 140, é provavelmente o mais exigente e técnico do percurso. Todos os outros formatos, exceto os 18 km, passam por este setor antes da chegada. Como os corredores seguem uma rota GPX no relógio, 29 pontos de controle são instalados na distância principal.
A particularidade do GRF? Segundo o organizador, é «uma prova off organizada com toda a segurança, mais uma aventura do que uma competição». François Hinault prefere defini-la como um «desafio pessoal», e não uma «batalha contra o relógio». Os limites de tempo são acessíveis, embora a distância mais longa tenha um limite de 31 horas.
Em 2024, Lucas Tanné venceu o GRF166 em 19h10’55. Jérémy Treguer (19h29’01) e Aurélien Garreau (19h51’45) completaram o pódio. Entre as mulheres, Angélique Cariou foi a mais rápida, com 23h49’40 (13ª na classificação geral). Myriam Gallet (25h43’46) e Cristina Anghel terminaram, respectivamente, em segundo e terceiro lugar na classificação feminina (29h53’29).
Um trail realmente responsável do ponto de vista ambiental
O objetivo do Grand Raid du Finistère não é aumentar o número de vagas a cada ano. François Hinault explica: «Como o transporte representa 80% da pegada de carbono de um evento, limitamos o número de corredores a 1.500.» Outras medidas também protegem o ambiente. A península de Crozon é uma área protegida, por isso os bastões são proibidos para combater a erosão das trilhas. Também não há sinalização no percurso. Um circuito de ônibus circulares será disponibilizado, e a organização limitou o tempo de circulação noturna para não perturbar a fauna. Não há postos de abastecimento, exceto água, para evitar o desperdício de alimentos. Bases de apoio são instaladas em diferentes pontos do percurso, permitindo que os corredores encontrem a própria comida, previamente colocada nas suas bolsas.
Este ano, o evento amplia a sua abordagem responsável com um estudo de impacto baseado em observações de campo durante as provas, conversas com as pessoas envolvidas na concepção e na gestão do evento e divulgação de informações pelo site e por materiais de comunicação. Cada participante recebe um questionário de satisfação, usado para aperfeiçoar a prova. Esta grande celebração do esporte também foi pensada em conjunto com os agentes do território, como o Office National des Forêts, a Natura 2000, o Parc National Régional Armorique, o Conservatoire du Littoral e associações locais de proteção ambiental. O trail está, assim, inserido numa verdadeira abordagem de responsabilidade ambiental.
«O GRF nunca será uma corrida de massa capaz de receber milhares de corredores. O evento nasceu num jardim, com um churrasco compartilhado na chegada. Queremos que cada corredor mergulhe nessa atmosfera familiar», garante a organização.
O sistema de vagas é equilibrado e evita as injustiças de um sorteio. O Grand Raid du Finistère utiliza um sistema de coeficientes: quem tentou uma vaga este ano e não foi selecionado terá o dobro das chances dos demais concorrentes na próxima edição. Quem já participou terá 0,5 chance de conseguir uma vaga. É um método justo e bem recebido, já que todas as provas esgotaram rapidamente.
O GRF nunca será uma corrida de massa capaz de receber milhares de corredores. O evento nasceu num jardim, com um churrasco compartilhado na chegada. Queremos que cada corredor mergulhe nessa atmosfera familiar.
Uma atmosfera acolhedora e familiar
Há atividades programadas antes e durante o fim de semana do evento.
➜ No dia 18 de setembro, a partir das 19h30, será realizado um workshop no centro náutico de Telgruc-Sur-Mer: «Correr no feminino: ouvir o corpo, superar os limites e voltar com segurança».
➜ No dia 19 de setembro, serão realizadas corridas infantis para a escola do município.
➜ Para os 166 km, será possível acompanhar a prova ao vivo graças à transmissão num telão, a partir das 16h30. Os espectadores são convidados a ir ao topo do Menez Hom entre as 19h e as 21h para incentivar os corredores durante o pôr do sol.
➜ No dia 20 de setembro, haverá um espaço infantil aberto durante todo o dia, além de uma loja oficial do GRF. Uma caminhada de 10 km e a retomada da transmissão ao vivo da prova vão animar este fim de semana festivo. Outras atividades estão previstas ao longo do dia, como a fanfarra de Quimper Les Zingueur’s Band. À noite, um DJ ficará responsável pela música até a chegada dos últimos participantes.
A organização faz questão de valorizar os voluntários: «Os voluntários de 2025 terão uma vaga garantida em 2026. É uma forma de agradecê-los e de dar preferência aos moradores da região.»