Meia Maratona Marvejols-Mende: Mélody Julien e Nixon Kiprotich brilham na Lozère
Publicado em qui., 10 de setembro de 2026
Atualizado em qui., 10 de setembro de 2026
A Meia Maratona Marvejols-Mende voltou a cumprir todas as promessas este domingo, 20 de julho de 2025. No traçado mítico e extremamente exigente das montanhas da Lozère, o queniano Nixon Kiprotich venceu a prova masculina e a francesa Mélody Julien triunfou entre as mulheres, inscrevendo os seus nomes no palmarés de uma corrida lendária do atletismo francês. Entre os participantes estavam também vários nomes de peso do fundo francês, como o campeão nacional dos 10 km Raphaël Montoya, o maratonista olímpico Nicolas Navarro e a bicampeã mundial dos 100 km, Floriane Hot.
Uma prova mítica pelas paisagens… e pela dificuldade
É uma corrida histórica em França. Com um formato único, Marvejols-Mende só tem o nome de meia maratona: com 22,4 quilómetros, ultrapassa a distância clássica. Entre as duas localidades, Marvejols, a 688 m de altitude, e Mende, a 740 m, o percurso sinuoso obriga a transpor duas subidas emblemáticas da região: Goudard, a 1 018 m, e Chabrits, a 960 m. Entre falsos planos, rampas íngremes e descidas que castigam as pernas, os atletas podem ainda desfrutar das paisagens de cortar a respiração da região, muito diferentes dos cenários urbanos habituais das provas de estrada. Marvejols-Mende é o desafio máximo: resistência mental, resistência muscular, quadríceps em fogo… Neste percurso ondulado, é impossível manter um ritmo constante. Os atletas enfrentam mudanças permanentes de ritmo e de desnível.
Mélody Julien: a atleta de Tarn no topo
O pelotão partiu às 9h, sob um céu limpo, aplaudido por milhares de espectadores e apoiado por mais de 550 voluntários, num ambiente caloroso e festivo. Atletismo genuíno e local, como gostamos.
A francesa Mélody Julien confirmou a sua evolução. Presença habitual neste percurso, a campeã francesa de 2022 da meia maratona e maratonista nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 (74.ª) cortou a meta em 1h27’29, apesar de uma enorme bolha no pé direito, provocada pelas descidas íngremes do percurso. À sua frente ficaram as marroquinas Hanane Bouaggad (1h29’00) e Fatiha Asmid (1h29’31).
Uma prestação de alto nível num traçado difícil, muito longe do seu recorde pessoal na meia maratona, 1h10’31 em Sevilha no início do ano, mas que demonstra a sua capacidade de adaptação e resiliência em qualquer terreno.
Nixon Kiprotich: uma estreia vitoriosa
Na corrida masculina, na sua primeira participação em Marvejols-Mende, o queniano Nixon Kiprotich dominou na perfeição o percurso da Lozère. Venceu em 1h15’04, à frente do marroquino Youssef Benhadi (1h15’26) e do francês Raphaël Montoya (1h15’55). O recorde da prova, ainda na posse de Luka Kanda (1h10’09 em 2011), permanece intacto, mas Kiprotich deixou uma forte impressão na sua estreia na corrida.
Prestações de destaque e figuras bem conhecidas
Destaque também para a prestação do atleta da Lozère Corentin Capelier, que terminou no 17.º lugar da geral, em 1h20’49, conquistando o seu quarto título local consecutivo, e para Anne Moulin, filha do fundador do evento, 4.ª classificada em 1h32’58, o seu melhor tempo nesta prova.
Entre os nomes mais sonantes estava também o maratonista olímpico Nicolas Navarro, que teve de lidar com fortes dores musculares. Terminou no 11.º lugar, em 1h18’47, num percurso pouco favorável aos especialistas das provas rápidas e planas. A bicampeã mundial dos 100 km, Floriane Hot, também alinhou e cortou a meta no 14.º lugar, em 1h40’54.
Um desafio desportivo no coração da Lozère
O perfil do percurso está à altura da sua reputação. Depois de começarem a aquecer nos falsos planos de Bouldoire, os atletas enfrentam as rampas severas do colo de Goudard, com inclinações de até 15%, seguidas de uma descida técnica em direção a La Planchette, onde os quadríceps são postos à prova. A subida de Chabrits oferece uma última resistência antes da longa descida para Mende e da chegada ao boulevard Henri Bourrillon, no meio de um público em delírio, numa imagem que faz lembrar o Tour de France.
O percurso atravessa paisagens magníficas, entre florestas, vales e vistas panorâmicas. A cada curva, o apoio do público, as bandas, os tambores, as danças tradicionais e a energia dos voluntários acompanham a passada dos atletas neste cenário de sonho.
Uma corrida com história
Criada em 1973 por Jean-Claude Moulin e alguns amigos apaixonados, a Marvejols-Mende foi a primeira prova em França a aceitar atletas não federados e mulheres, numa época em que estes formatos ainda estavam proibidos para as atletas femininas além dos 5 km. Na altura, esta iniciativa pioneira valeu ao seu fundador uma suspensão por parte da FFA, antes de o Ministério dos Desportos criar uma comissão para regulamentar as corridas de estrada… inspirando-se na Marvejols-Mende.
Ao longo de 52 edições, esta prova tornou-se um símbolo de liberdade desportiva e de inclusão, mantendo ao mesmo tempo um espírito popular, festivo e genuíno. Provas como Marseille-Cassis ou Paris-Versailles nasceram, aliás, na sua esteira. Nada menos do que isso.
Ano após ano, Marvejols-Mende preserva esse perfume genuíno que a torna tão única. Correr esta prova é celebrar o atletismo e a liberdade, e sobretudo fazer parte de um encontro tão popular quanto elitista. A ponte perfeita entre amadores e profissionais. Unidos pela mesma paixão pela corrida. Ao cortarem a meta, os 5 000 atletas desta edição de 2025 puderam dizê-lo com orgulho: atreveram-se a correr a lenda.