Meia Maratona de Monza: análise de um percurso fora do comum
Publicado em qui., 10 de setembro de 2026
Atualizado em qui., 10 de setembro de 2026
No dia 4 de outubro, mais de 7.000 corredores vão partir da grelha do circuito de Monza. Já tínhamos apresentado a prova há algumas semanas. Agora entramos no coração do desafio: o percurso. Uma meia maratona que começa num circuito de Fórmula 1 e atravessa um dos maiores parques da Europa merece uma análise detalhada. Vamos percorrê-la quilómetro a quilómetro, numa das meias maratonas mais espetaculares da Europa.
Uma partida mágica na grelha do circuito de Fórmula 1
Poucas semanas antes da meia maratona de Monza, os monolugares de competição arrancavam a toda a velocidade precisamente neste local. Tudo começa na famosa rettilineo, a longa reta diante das boxes. É aquela que vemos na televisão todos os anos durante o Grande Prémio de Itália, com as bancadas cheias e uma maré vermelha de tifosi. Desta vez, o ambiente é ligeiramente diferente. Adeus aos motores, ao cheiro a borracha e à paixão dos adeptos da Scuderia Ferrari: entram em cena milhares de pares de sapatilhas com placa de carbono a bater no asfalto. Foi também aqui que, em 2017, o queniano Eliud Kipchoge correu uma maratona em 2h00’25.
A partida é dada às 9h, diretamente na grelha. Estar nesta linha de partida é, antes de mais, um privilégio. Os participantes na Meia de Monza têm a oportunidade única de correr num dos circuitos de Fórmula 1 mais rápidos do mundo.
E aqui surge a primeira surpresa para muitos: esta reta inicial é bastante longa. Quase 1 km de asfalto perfeitamente liso, sem uma única curva. Na televisão, os carros de F1 percorrem-na em cerca de quinze segundos. A pé, porém, há tempo para acertar o ritmo-alvo, estabilizar a passada, encontrar um grupo e até controlar a euforia da partida, no caso dos corredores mais impulsivos. Condições ideais para começar bem a prova.
Os primeiros 5 quilómetros são percorridos no circuito de F1 e servem para apresentar o cenário. As marcas dos pneus de Lewis Hamilton e Charles Leclerc ainda são visíveis na pista. O piso é um sonho para qualquer corredor: liso, regular e amplo. Sem empedrado, sem passeios, sem ganchos. O percurso é uma autoestrada… mas com algumas pequenas subidas. Ainda assim, é fácil antecipar o que vem a seguir e concentrar-se no ritmo. Alguns corredores vão até divertir-se a aproximar-se dos corretores, as zonas pintadas de vermelho e branco que delimitam certas curvas. É claro que, a pé, a sensação não é a mesma de passar por elas a 220 km/h, mas continua a ser especial.
Informações essenciais da Meia Maratona de Monza
Data: domingo, 4 de outubro de 2026
Local: Monza (Itália)
Participantes: 7.000
Distâncias: 5 km (não competitiva), 10 km, 21 km (meia maratona), 30 km
Desnível positivo: 89 m (meia maratona)
Partida: 9h
Inscrições: followyourpassion.it
Preço: de 45 € a 65 €
Rumo ao Parco di Monza: a pausa verde
Ao chegarem ao quilómetro 5 e à última curva da pista de F1, os corredores deixam o asfalto e entram no Parco di Monza pelo Viale Mirabello. A mudança de ambiente é radical. Da Pista Magica passam para um cenário de floresta real, com alamedas ladeadas por árvores centenárias e grandes carvalhos a dominar a paisagem. Um dos maiores parques urbanos da Europa, o parque foi desenhado na época napoleónica. Sim, até aqui há um pedaço de história francesa.
O percurso serpenteia pela Viale Cavriga e pela Viale Mirabellino antes de entrar na Viale de Tigli, a alameda dos tílias. Aqui, a natureza espera pelos corredores, mas há sempre asfalto debaixo dos pés. Esta zona do percurso é um dos locais de corrida mais populares de Monza, uma espécie de via verde onde os atletas locais treinam habitualmente. Para os protagonistas do dia, é o momento ideal para se concentrarem no ritmo-alvo. Depois, há um pequeno desvio pela Viale Cascina del Soie e o regresso à Viale Cavriga para atravessar o Lambro (o rio que atravessa o parque). No papel, parece apenas uma lista de nomes italianos. No terreno, é a parte mais rápida e tranquila da prova. Os quilómetros passam à sombra, por alamedas largas, no meio da natureza. É aqui que se ganha tempo.
Uma nota técnica: com apenas 89 metros de desnível positivo no total, o percurso não é uma mesa de bilhar perfeita como Berlim ou Valência… mas quase. Há algumas falsas planas aqui e ali, nada que castigue verdadeiramente as pernas. Para ajudar os corredores a manter o esforço, estão previstos abastecimentos aproximadamente a cada 4 quilómetros.
Passagem mítica pelo antigo anel de velocidade Alboreto
E depois chega um dos momentos altos da prova. Ao quilómetro 19, com as pernas pesadas, a cabeça começa a fraquejar, ou não, e o percurso entra na Sopraelevata : o histórico anel de velocidade de Monza. São dois quilómetros neste tapete de betão construído em 1955 para a velocidade pura, com curvas inclinadas quase na vertical na parte superior, chegando aos 80% de inclinação. Um local simbólico, abandonado pela F1 por ser considerado demasiado perigoso para os carros. Hoje já não recebe competições automóveis, mas continua ali, erguido no meio do parque. Com a vegetação a recuperar o betão, parece quase cenário de um filme.
A reta final: regresso ao circuito de F1
Depois do anel, o percurso regressa ao asfalto moderno do circuito de Fórmula 1 para os últimos instantes da prova. Uma bela reta, com o arco da meta no horizonte, exatamente onde tudo começou. Onde Senna, Schumacher e Verstappen escreveram a história e onde os corredores vêm agora escrever a sua.
Atravessar uma meta num circuito de F1, no Templo da Velocidade, não acontece todos os dias. O organizador fez um trabalho notável ao criar um evento que junta desempenho desportivo, um local histórico do desporto e o património local.
Como abordar este percurso? As nossas dicas
Primeira armadilha: a partida. Com uma longa reta e a adrenalina a subir, o percurso convida a acelerar desde as primeiras passadas. Grande erro. Como tantas vezes, é preferível começar ligeiramente abaixo do ritmo e fixar o ritmo-alvo depois de 1 ou 2 km. Deixar os mais afoitos avançar e correr a própria prova são, regra geral, bons conselhos.
Segundo ponto: tanto no circuito como no parque, os longos troços retilíneos podem tornar-se pesados mentalmente, sobretudo quando se corre sozinho. Encontrar um grupo ao nosso ritmo pode ajudar muito. E, se houver vento, torna-se ainda mais importante. Abrigar-se num pequeno pelotão pode poupar segundos preciosos.
Por fim, nunca é demais repetir: guardem energia para o final. A passagem pelo anel de velocidade e o regresso ao circuito acontecem já no fim da prova, quando o corpo está em sobreaquecimento. Mas é também o momento mais memorável da corrida. Guardar energia para manter a lucidez nesta fase pode ajudar a terminar forte e a saborear este momento fora do tempo.
Uma partida na grelha, uma escapada por um parque real, uma passagem pelo anel de velocidade e um final num dos circuitos mais rápidos do automobilismo… O percurso da Meia Maratona de Monza oferece um cenário raro e espetacular. Conta uma história intimamente ligada ao mundo do desporto. Rápido, fluido e carregado de símbolos: reúne tudo o que se espera de uma prova para fazer pelo menos uma vez na vida.
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