As maratonas mais instagramáveis de 2025
As maratonas mudaram de rosto. Continuam a ser encontros míticos para quem procura um desafio físico, mas também se tornaram palcos a céu aberto, onde a estética conta tanto como a resistência. Em 2025, uma prova bem conseguida é aquela em que as pernas aguentam e o feed explode. Dorsal preso, smartphone pronto para captar a paisagem, eis uma seleção das corridas perfeitas para o teu feed este ano. Porque o esforço é bonito. Mas quando ainda por cima fica bem em fotografia, melhor ainda.
Maratona de Maui, no Havai
✓ A irmã mais nova de Honolulu, mas com uma alma extra
Quem pensava que a Maratona de Honolulu era a única opção tropical no Havai nunca pôs os pés na ilha de Maui. Aqui não há arranha-céus, multidões em delírio nem turismo de massas. Só o essencial: o oceano, a montanha, a estrada que serpenteia entre ambos e o vento a brincar nas palmeiras.
A partida acontece ao amanhecer, quando a ilha ainda dorme e o nevoeiro acaricia as colinas. Pouco depois, a luz rosada ilumina as primeiras encostas, revelando as cores do Pacífico a poucos metros. O percurso acompanha a costa noroeste da ilha, entre aldeias locais, enseadas esquecidas e panoramas de 180° sobre as ondas e os vulcões. Não há uma única reta sem cenário de postal.
O ambiente é íntimo, quase meditativo. Não há uma zona de partida frenética nem uma multidão compacta, mas sorrisos acolhedores, incentivos discretos e aquela rara sensação de correr num lugar preservado. Segundo os habitantes locais, até a música dos voluntários tem algo de diferente, muitas vezes tocada ao vivo com ukuleles ou búzios havaianos. É uma maratona com cheiro a areia quente, flor de tiaré e tranquilidade. Aqui, o tempo abranda, mesmo quando o cronómetro continua a correr.
Maratona de Londres, no Reino Unido
✓ De Buckingham ao Tamisa, elegância a cada passada
Londres tem uma capacidade única de misturar tradição e modernidade com um charme desconcertante. E a maratona não foge à regra. Logo nos primeiros quilómetros, o cenário está montado: ruas históricas, monumentos icónicos e um público londrino que grita como se estivesse na bancada de Wimbledon. Passamos pelo London Eye, cumprimentamos o Big Ben, atravessamos a Tower Bridge como num sonho, tudo isto ao som da chuva miudinha e dos sotaques britânicos.
Visualmente, é irrepreensível. O contraste entre o cinzento dos edifícios e as cores fluorescentes dos equipamentos dos corredores cria fotografias de uma riqueza incrível. Na meta, as pernas tremem, mas os olhos brilham. E depois há aquele extra: uma maratona londrina promete um brunch pós-prova em Notting Hill. Só por isso já vale a viagem. E a viagem, inevitavelmente, acaba numa story.
Maratona do Mont-Blanc, em Chamonix
✓ Os Alpes, em versão selvagem e fotogénica
Para quem gosta de subir e de sentir as pernas a arder um pouco (ou muito), o destino é Chamonix. A Maratona do Mont-Blanc é um terreno de jogo para trail runners experientes, mas também um verdadeiro paraíso para quem adora imagens espetaculares. Logo nos primeiros metros, os abetos substituem os espectadores, os riachos cantam em segundo plano e cada curva oferece um novo panorama, mais impressionante do que o anterior.
A particularidade está em que, aqui, o sofrimento fica bonito. As subidas abruptas, as descidas técnicas, as cristas escarpadas... tudo parece pensado para despertar os sentidos. E quando chegamos à Flégère, acima do vale de Chamonix, a vista dá a sensação de flutuar num cenário de postal. O Mont-Blanc nunca está muito longe, omnipresente e majestoso. E as fotografias tiradas lá em cima? Conseguem mais likes do que um recorde pessoal nos 10 km.
Maratona de Istambul, na Turquia
✓ Uma corrida, dois continentes, milhares de perspetivas
É uma das únicas maratonas do mundo em que se atravessam dois continentes numa só corrida. Da Ásia para a Europa, pela ponte do Bósforo, com o sol a romper o nevoeiro ao início da manhã. Istambul não faz nada como as outras. A cada curva, um choque cultural, uma surpresa arquitetónica. Mesquitas otomanas, edifícios modernos, ruelas empedradas... tudo se mistura para criar uma atmosfera única, densa, quase mística.
A chegada acontece no coração da velha Istambul, com Santa Sofia e a Mesquita Azul como pano de fundo. Visualmente, é material de grande ecrã. O tipo de lugar onde até os corredores mais apressados param para tirar algumas fotografias. E percebe-se porquê: aqui, cada imagem parece contar uma história. E, desta vez, essa história não se lê apenas em quilómetros.
Maratona de Tóquio, no Japão
✓ Quando a ultramodernidade se cruza com a tradição
Em Tóquio, a maratona transforma-se numa experiência sensorial. As ruas vibram, os néons piscam, os templos surgem como oásis zen no meio da selva urbana. Corre-se ao ritmo da cidade: rápido, preciso, animado. Os espectadores são muitos, entusiastas e frequentemente aparecem mascarados, uma tradição local. Resultado: é impossível não sorrir, mesmo ao quilómetro 38.
Para as fotografias, tudo é possível: um equipamento vistoso diante de um arranha-céus, uma selfie em frente a um torii ou um vídeo a atravessar Shibuya no meio da multidão. Tóquio nunca dorme, e isso sente-se a cada passada. Na capital japonesa, o esforço torna-se estética, quase uma coreografia. E quando a meta se aproxima, entre a fadiga e a euforia, o telemóvel volta ao ativo para captar aquele caos perfeitamente orquestrado.
Maratona de Nova Iorque, nos Estados Unidos
✓ A mais mítica, a mais vibrante, também a mais filmada
É impossível falar de maratonas visualmente poderosas sem mencionar a de Nova Iorque. É a prova-rainha, a que faz brilhar os olhos e tremer as pernas. Atravessam-se os cinco boroughs como quem atravessa uma vida: Brooklyn para o fogo, Queens para o ambiente, Manhattan para a emoção. As pontes são imensas, as avenidas estão cheias de ruído e fervor, e cada esquina parece saída de um filme.
É a corrida dos superlativos. E, quando a luz ajuda, algo que acontece muitas vezes em novembro, as fotografias tornam-se instantaneamente icónicas. A passagem por Central Park, vestido com as cores do outono, vale por si só todo o esforço. A maratona de Nova Iorque é storytelling em estado puro, pronto a ser partilhado com o mundo inteiro num só swipe.
Maratona de «Cairns and Great Barrier Reef», nas Austrália (Espanha)
✓ Lua negra, céu azul, corrida vulcânica
Em Lanzarote, corre-se no meio de uma paisagem quase irreal: uma terra negra, áspera, moldada pelos vulcões. O contraste entre o solo escuro e o azul profundo do Atlântico é impressionante. Lanzarote é a ilha dos contrastes, onde a aridez se torna bonita e as paisagens lunares se transformam em cenários de outro mundo.
A maratona é dura e frequentemente ventosa, mas a sensação de solidão estética em alguns troços vale todas as passagens na passadeira vermelha. E as imagens captadas ao nascer do sol sobre o relevo vulcânico? Absolutamente únicas.
Maratona «Cairns and Great Barrier Reef», na Austrália
✓ Correr junto à maior barreira de coral do mundo
Sim, existe. E é tão bonita como parece. Esta maratona australiana realiza-se em Queensland, com troços costeiros junto a praias de areia branca e passagens no meio da floresta tropical. A cada passada, o mar turquesa estende-se até ao horizonte, os papagaios gritam nas árvores e a humidade cola-se à pele como uma story bem conseguida.
É uma corrida exigente por causa do clima, mas tão fotogénica que se torna viciante. O único risco? Passar mais tempo a admirar a paisagem do que a correr. E isso o algoritmo adora.
Big Sur International Marathon, na Califórnia (Estados Unidos)
✓ O Pacífico no horizonte durante 42 km
A Big Sur, entre Carmel e Big Sur, na lendária Highway 1, é uma maratona californiana que celebra o minimalismo estético: a natureza em estado bruto. A estrada acompanha a costa, as falésias mergulham no vazio e o vento salgado brinca nos cabelos. Não há arranha-céus nem curvas urbanas, apenas falésias, pinheiros retorcidos e um oceano infinito.
O momento de culto? A passagem pela Bixby Bridge, uma ponte suspensa sobre o vazio, frequentemente coberta pelo nevoeiro ao nascer do dia. Ali, um pianista toca ao vivo todos os anos num piano de cauda, sozinho no mundo. Uma imagem quase inacreditável e, no entanto... perfeitamente real. Inesquecível e instantaneamente viral.
Maratona da Cidade do Cabo, na África do Sul
✓Um final em beleza no fim do mundo
É talvez a maratona menos conhecida desta seleção, mas merece estar aqui. A Cidade do Cabo tem tudo: uma natureza de cortar a respiração, uma cidade vibrante e multicultural e um percurso que roça o oceano antes de subir em direção à montanha. Correr aqui é sentirmo-nos minúsculos num cenário gigantesco. A Table Mountain vigia ao longe, as ondas rebentam nas rochas e os bairros atravessados estão cheios de cores, música e rostos sorridentes.
É uma maratona para quem quer sair dos caminhos habituais. Para quem gosta de fotografias cruas, sem filtros, com areia nas pernas e os olhos cheios de emoção. Na Cidade do Cabo, o desporto transforma-se em aventura. E isso o Insta adora.
Bónus: Paris, claro
Às vezes esquecemo-nos, mas a capital francesa também sabe fazer arrepiar as retinas. Uma partida nos Champs-Élysées, uma passagem diante de Notre-Dame, uma chegada aos pés da Torre Eiffel... A Maratona de Paris tem aquele pequeno extra a que chamamos charme. E não são precisas mais de duas stories bem enquadradas para o provar.
Podemos correr para bater um tempo. Também podemos correr para nos superarmos, para nos reconectarmos, para respirar algo diferente. Mas correr num cenário incrível é correr com estrelas nos olhos. As maratonas mais instagramáveis não são apenas bonitas de ver. São intensas de viver. E, depois de cruzar a meta, são muitas vezes as imagens que guardamos na memória que nos dão vontade de voltar a fazê-lo.