Treinar em jejum é uma boa ideia?

JT
Por Julia Tourneur

Publicado em qua., 9 de setembro de 2026

Atualizado em qua., 9 de setembro de 2026

Treinar em jejum é uma boa ideia?

Comer ou não antes de treinar, eis a questão. O treino em jejum volta e meia está no centro das conversas entre corredores e corredoras, estejam ou não se preparando para uma prova.

Entre o trabalho, a vida social, a família e os treinos, o tempo se torna um recurso precioso contra o qual corremos o tempo todo. Para tentar ganhar alguns minutos, às vezes os atletas saem para treinar de estômago vazio. Em outros casos, é simplesmente a falta de vontade de comer que leva ao treino em jejum. “Sinto-me pesado quando corro depois de tomar o café da manhã poucos minutos antes”, conta Brice, que se prepara para uma prova de 10 km. O aspecto mental desempenha um papel central no treino em jejum, porque muitas vezes os corredores e as corredoras se sentem mais seguros com alguma reserva de alimento no estômago antes de sair para correr. Ainda assim, se você quiser comer antes de uma sessão,
o ideal é fazê-lo duas horas antes de começar, ou até três horas para um efeito mais eficiente.

Para sessões de baixa intensidade

É uma prática interessante quando os exercícios da sessão não são intensos nem longos, para não comprometer a massa muscular”, explica Nicolas Aubineau, nutricionista. Ao acordar, o corpo dispõe de pouco açúcar, e a glicemia está baixa. Se esse estoque não for reposto, as gorduras serão a principal fonte de energia disponível. Treinar em jejum significa, portanto, trabalhar essa via energética e explorar a capacidade do corpo de recorrer às reservas de gordura, desde que, é claro, você permaneça em ritmo de endurance fundamental, ou seja, em um ritmo confortável, que possa ser mantido por bastante tempo. Esse exercício é interessante, portanto, para desenvolver a resistência.

Se você fizer uma sessão puxada em jejum, é importante certificar-se de que está em boas condições físicas para não prejudicar o organismo. “Tudo depende, de fato, de como você se recupera antes e depois dessa sessão intensa em jejum. Se você se recuperou bem do treino do dia anterior e recompôs os estoques de glicogênio, o trabalho poderá ser realizado. Se não repus os estoques, o desempenho ficará limitado, avalia Nicolas Aubineau. Se a última refeição antes do treino em jejum foi o jantar da noite retrasada, será preciso reduzir as fibras mais pesadas, deixando-as semilíquidas ou líquidas, como em uma sopa. Quanto aos carboidratos, não escolha produtos integrais, para evitar sobrecarga digestiva. “Tudo isso ajuda a otimizar o treino ao máximo. Depois, se for preciso parar para ir ao banheiro durante a sessão, não é nenhum drama”, brinca o nutricionista.

Leve um lanche

Para evitar qualquer desgaste excessivo do organismo, o especialista em nutrição recomenda levar, na saída em jejum, eletrólitos à base de água e sal. “Você também pode diluir em água bebidas isotônicas para o exercício. Elas fornecem um conjunto completo de eletrólitos, associado a carboidratos”. Ao voltar do treino em jejum, é importante fazer uma refeição com um café da manhã esportivo, rico em proteínas e carboidratos. Atenção em caso de fome constante. Esse é um sinal enviado pelo corpo. Nessa situação, os treinos em jejum se tornam problemáticos, ou há algum desequilíbrio nutricional. Ao longo de todos os treinos, o mais importante é continuar atento ao corpo e às próprias sensações.


Treinar em jejum pode ser uma estratégia interessante, desde que você conheça seus limites e escute o próprio corpo. Reservada às sessões de endurance em baixa intensidade, essa prática ajuda a desenvolver a utilização das gorduras como fonte de energia e a melhorar a resistência, desde que você tenha se recuperado bem no dia anterior e não negligencie a recuperação depois do esforço. Não se trata, de forma alguma, de um método milagroso, mas de uma ferramenta entre outras, que deve ser incorporada com critério à rotina de treinos. Cada pessoa reage de um jeito: com o estômago vazio ou não, o essencial é encontrar o que funciona melhor para você, evoluindo sem colocar a saúde em risco.

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