Sete cidades, milhares de corredoras: Nike relança o After Dark Tour em 2026
Entre evento desportivo e operação de marketing em grande escala, o Nike After Dark Tour afirma-se como um dos projetos mais ambiciosos da marca norte-americana. Em 2026, a digressão dedicada à corrida feminina regressa com sete etapas em várias partes do mundo.
Xangai, Sydney, Londres, Cidade do México, Los Angeles, Manila e Mumbai. A Nike acaba de revelar as sete cidades que vão receber o After Dark Tour 2026. O circuito 100% feminino regressa este ano depois de uma edição de 2025 bem-sucedida. O projeto cruza comunicação, impacto social e cultura, com o objetivo de atrair uma nova geração de corredoras. A promessa é clara: trata-se de muito mais do que conquistar um dorsal. A corrida transforma-se num momento para viver intensamente.
Promover o empoderamento feminino
Com esta digressão, a Nike quer desenvolver o desporto feminino e incentivar as mulheres a correrem livremente no espaço público. O objetivo é motivá-las a praticar desporto, sobretudo depois do pôr do sol, quando a noite pode ser um obstáculo ou uma fonte de preocupação. Nos quatro cantos do mundo, as etapas celebram o desporto, a cultura urbana, a confiança e o espírito de comunidade. Qualquer que seja o nível, estas corridas não procuram apenas valorizar o desempenho, mas também a superação e o coletivo. A empresa afasta-se dos formatos mistos para dar maior visibilidade às atletas e apoiá-las de forma específica.
Esta segunda edição do After Dark Tour recupera a série de etapas da Nike reservadas a mulheres nas grandes cidades entre 2005 e 2015. A marca do swoosh foi, assim, buscar inspiração às suas raízes ao relançar o conceito em 2025 e agora em 2026. As marcas de equipamento travam uma verdadeira batalha de imagem, multiplicando conceitos e eventos cada vez mais impressionantes. Atualmente, os gigantes do setor apostam nas suas próprias competições em vez de se limitarem a patrocinar provas já existentes. Uma forma de afirmar a sua identidade através de encontros comunitários e fora do comum.
O After Dark Tour insere-se nessa tendência: em 2025, atraiu cerca de 50 000 corredoras em cinco continentes. Segundo a empresa, para uma em cada três participantes esta foi a primeira corrida, e quase metade afirmou ter-se inscrito para participar numa prova inclusiva. Resta saber se o sucesso voltará a repetir-se este ano.
Mais do que uma competição, um momento para viver
As etapas não se parecem com corridas tradicionais. São antes experiências imersivas. A atmosfera noturna, a forte identidade visual, a música e as luzes são pensadas para criar um verdadeiro espetáculo. Os locais escolhidos são muitas vezes emblemáticos e de grandes dimensões. Para a marca, quase nada parece impossível de reservar em exclusivo.
Sessões fotográficas, animação, workshops e encontros: o programa associado a cada evento é diversificado. A empresa aproveita frequentemente a ocasião para apresentar as suas mais recentes inovações para a corrida. No ano passado, durante a final em Londres, algumas equipas correram com equipamentos reinterpretados e feitos à medida por designers. A prova decorreu no enorme complexo e centro de convenções ExCeL London.
Um cenário invulgar, com um circuito curto que reforçava o ambiente, graças aos espectadores concentrados ao longo de todo o percurso. A cerimónia de entrega de prémios ficou a cargo da campeã olímpica e mundial dos 800 m, Keely Hodgkinson. Todas as participantes receberam uma medalha de finisher concebida como uma joia.
Atrair novas corredoras
A corrida feminina está a crescer, multiplicam-se os grupos e as praticantes são cada vez mais jovens. A Nike percebeu isso e procura valorizar uma nova geração de corredoras, que corre por prazer, sozinha ou em grupo, e se sente à vontade a partilhar conteúdos nas redes sociais. É uma montra privilegiada para a marca norte-americana. As marcas tentam dar maior destaque ao público feminino, durante muito tempo sub-representado no mundo do desporto.
Quanto às distâncias, os 10 km terão lugar em Londres, Manila, Mumbai e Xangai, enquanto as meias-maratonas vão decorrer em Los Angeles, na Cidade do México e em Sydney. Tal como aconteceu na final londrina, os pelotões, densos e heterogéneos, serão divididos por vagas. As 5000 participantes tinham sido distribuídas com base num quilómetro de qualificação realizado previamente. Umas alternavam entre caminhar e correr; outras chegavam com o objetivo de lutar pelo pódio.
A Nike assume o seu compromisso com as mulheres
A escolha de incluir meias-maratonas não é inocente: trata-se de uma distância que pode intimidar as menos experientes. A marca transmite uma mensagem clara: as mulheres são capazes. No ano passado, em Los Angeles, quase metade das participantes estava a correr a sua primeira meia-maratona. As cidades escolhidas também não resultam do acaso.
Por um lado, a marca de equipamento pretende sublinhar o seu alcance global. Por outro, quer marcar presença em cidades onde as marcas de corrida ainda têm pouca expressão, como Mumbai. Em 2025, os 10 km do Nike After Dark Tour na Índia reuniram mais de 3000 inscritas, 60% das quais eram estreantes.
O resultado colocou a prova como a maior do país em participação feminina. A elevada percentagem de novas corredoras também revela a vontade do grupo de as incentivar a experimentar a competição, mesmo em países onde continuam a ser uma larga minoria. Numa cidade onde correr sozinha à noite não é habitual e pode, por vezes, ser arriscado, ver milhares de corredoras ocuparem as ruas ao cair da noite mostra claramente a intenção da Nike de as incentivar a romper com esses constrangimentos sociais.
Como participar?
A inscrição é feita exclusivamente através do site oficial do After Dark Tour, com uma fase de pré-inscrição antes da abertura das inscrições. Uma notificação permite saber as datas e os momentos de abertura, que variam consoante a cidade. O número de inscrições é limitado, reforçando o caráter exclusivo da iniciativa.
A meio caminho entre uma noite de festa e uma corrida, a Nike baralha os códigos e afasta-se dos formatos clássicos de estrada, mistos, para apostar numa digressão totalmente feminina. São etapas inclusivas e exclusivas, pensadas para celebrar todas as corredoras, qualquer que seja o seu nível. Estes eventos refletem também uma nova forma de praticar corrida, mais social, mais visual e muitas vezes pensada para ser partilhada nas redes sociais. Mais do que uma corrida, o After Dark Tour parece sobretudo um encontro desportivo, social e cultural, à imagem da corrida da nova geração.