O reforço muscular, um aliado da corrida
Para evoluir e prevenir lesões, não basta acumular quilómetros a correr. O reforço muscular é um complemento indispensável à corrida, não só para correr melhor e mais depressa, mas também para evitar lesões.
Reforço muscular e preparação física: do que estamos a falar?
A preparação física engloba o conjunto de técnicas de reforço muscular e de atividades complementares à modalidade principal praticada por um atleta. Permite trabalhar os pontos fracos e, dessa forma, desenvolver as capacidades de um corredor. Demasiadas vezes esquecida, é uma componente indispensável de um bom treino. Deve, no entanto, ser usada com moderação: levantar pesos todos os dias não é propriamente relevante para um corredor de resistência, e o reforço deve ser integrado de forma adequada num plano de treino.
Amante do ar livre, sobretudo quando é também praticante de trail e gosta da natureza e dos trilhos, o corredor tende muitas vezes a pensar apenas em treinar no exterior. Ainda assim, o reforço muscular feito dentro de casa, no conforto e no calor da sala, tem inúmeras vantagens, especialmente no inverno, quando o tempo se torna mais agreste. O reforço também pode, naturalmente, ser feito ao ar livre, mas alguns exercícios exigem um ambiente adequado, como uma parede vertical onde seja possível apoiar-se ou um banco.
O reforço muscular como parte do treino
Correr é uma atividade exigente para o corpo: a cada passada, o organismo absorve um impacto que tem de conseguir suportar a nível articular, tendinoso e muscular. É, por isso, fundamental que tenha resistência suficiente. Para o ajudar a enfrentar as solicitações específicas da corrida, o reforço muscular desempenha um papel fundamental: permite mobilizar grupos musculares específicos e, assim, reduzir o risco de lesões, já que um corpo forte se lesiona menos, além de atrasar o aparecimento da fadiga, porque músculos fortes correm durante mais tempo.
Um programa de reforço muscular deve ter em conta as especificidades da modalidade. No trail, há terreno acidentado e uma sucessão de subidas e descidas. Na corrida de estrada, repetem-se os impactos em piso duro e aumenta-se a amplitude da passada. É, por isso, importante trabalhar os diferentes tipos de contração muscular envolvidos na corrida:
➔ Contração concêntrica, que corresponde à tensão seguida do encurtamento do músculo, como quando se pressiona o pedal de uma bicicleta ou se salta para cima de um banco.
➔ Contração excêntrica, que consiste na resistência do músculo contra uma carga, como acontece quando se corre numa descida e os músculos dos membros inferiores travam o peso do corpo.
➔ Contração isométrica, que corresponde à manutenção de uma contração muscular, como no famoso exercício da cadeira. Pouco utilizada na corrida, a isometria é sobretudo usada como pré-fadiga em algumas sessões.
De forma geral, como a corrida solicita sobretudo os membros inferiores, privilegiam-se os exercícios que fortalecem os gémeos, os isquiotibiais, os quadríceps e os glúteos. Ainda assim, o tronco não deve ser descurado, já que também é solicitado, nomeadamente através dos abdominais e dos músculos dorsais.
O reforço muscular na prática
➔ No inverno, integrar duas sessões de reforço muscular por semana.
➔ Fazer um aquecimento antes de qualquer circuito, no rolo de treino, durante 30 a 40 minutos a ritmo confortável, ou a correr, com 30 a 40 minutos de corrida fácil.
➔ Cada circuito pode ser repetido entre 2 e 4 vezes.
➔ Beber água regularmente ao longo de toda a sessão.
➔ Respirar durante os exercícios: reforço muscular não se faz em apneia!
➔ Garantir a execução correta de cada exercício, sobretudo no que diz respeito ao alinhamento corporal.
Circuito de reforço para corredores
Prancha: 30 segundos. Não arquear as costas nem elevar demasiado as ancas. Reforço da zona abdominal.
Cadeira durante 45 segundos, seguida de elevação dos joelhos no lugar durante 20 segundos. Na cadeira, manter ângulos de 90 graus entre o tronco e as coxas e entre as coxas e as pernas. Nas elevações de joelhos, manter o corpo alinhado, o core firme e as costas direitas. Reforço isométrico dos quadríceps, seguido de trabalho concêntrico dos membros inferiores.
Prancha lateral: 30 segundos de cada lado. Não deixar a bacia descair. Reforço da zona abdominal.
Saltos curtos no lugar: 30 segundos, de um lado para o outro. Manter o tronco bem firme. Saltos pequenos e muito dinâmicos, como se o chão estivesse a escaldar. Trabalho dos gémeos, dos tornozelos e dos pés.
Prancha dorsal: 30 segundos. Não deixar o corpo descair. Reforço da zona abdominal.
Saltos curtos no lugar: 30 segundos, para a frente e para trás. Manter o tronco bem firme. Saltos pequenos e muito dinâmicos, como se o chão estivesse a escaldar. Trabalho dos gémeos, dos tornozelos e dos pés.
Flexões: 15, com os braços afastados, a um ritmo regular. Manter o corpo alinhado para não deixar as ancas descair. Se a posição clássica for demasiado difícil, é possível apoiar os joelhos em vez das pontas dos pés. Reforço da zona abdominal, trabalho dos braços e estabilidade do tronco.
Elevações dos calcanhares: 30 segundos. Fazer o exercício sem procurar velocidade. Manter o corpo firme e sentir bem o trabalho dos pés e dos gémeos. Trabalho dos gémeos.
Flexões: 15, com os braços junto ao corpo, a um ritmo regular. Manter o corpo alinhado para não deixar as ancas descair. Se a posição clássica for demasiado difícil, é possível apoiar os joelhos em vez das pontas dos pés. Reforço da zona abdominal, trabalho dos braços e estabilidade do tronco.
Afundos à frente, sem salto: 15. Manter o corpo alinhado e a bacia estável. Trabalho dos isquiotibiais, dos glúteos e dos quadríceps.
O reforço muscular merece ocupar o lugar certo no seu plano de treino. Longe de ser acessório, é essencial: ao desenvolver a força, a tonicidade e a resistência do sistema músculo-tendinoso, prepara melhor o organismo para correr bem, durante mais tempo e sem lesões. Inclua pelo menos uma sessão de reforço por semana no seu planeamento e encare-a como um treino a sério.
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