As 10 passagens imperdíveis das maiores maratonas, onde a magia acontece
Publicado em qua., 9 de setembro de 2026
Atualizado em qua., 9 de setembro de 2026
Uma maratona não se resume à linha de partida e à medalha na chegada. É uma viagem inteira, um concentrado de emoções, paisagens e momentos suspensos que permanecem por muito tempo na memória de todos os finishers. Algumas passagens tornaram-se míticas, ao ponto de serem experiências por si só, por vezes mais marcantes do que o tempo final. Do Vaticano de Roma à Tower Bridge de Londres, estas são as 10 passagens incontornáveis para viver pelo menos uma vez na vida de qualquer runner.
Sumário
- Roma – O Vaticano
- Madrid – O momento em que maratonistas e meio-maratonistas se separam
- Marine Corps Marathon (Washington) – O tiro de canhão e o Capitólio
- Boston – The Scream Tunnel
- Boston – Heartbreak Hill
- Nova Iorque – Queensboro Bridge e First Avenue
- Paris – Os Champs-Élysées
- Atenas – A entrada no Estádio Panatenaico
- Berlim – A Porta de Brandemburgo
- Londres – Tower Bridge
- Tóquio – O Palácio Imperial e Ginza
Roma – O Vaticano
Roma é a maratona ideal para quem quer juntar património, história e corrida. Esta prova é um verdadeiro postal da capital italiana. Passar em frente ao Coliseu é de cortar a respiração e, sobretudo, correr pela Via della Conciliazione, com a Basílica de São Pedro no horizonte, é um momento de pura graça. O ruído da cidade silencia-se por instantes e quase parece que estamos a flutuar em direção à Praça de São Pedro. Ao quilómetro 17, surge um cenário grandioso, quase irreal. Entre o fervor italiano e o silêncio sagrado, só se ouve o ritmo regular das passadas de milhares de corredores sobre os paralelepípedos. É uma das raras alturas do ano em que este troço fica reservado à prova. Participar na Maratona de Roma é ter uma oportunidade inestimável de correr por este lugar carregado de história.
Madrid – O momento em que maratonistas e meio-maratonistas se separam
A Maratona de Madrid é uma prova à parte: uma verdadeira festa nacional da corrida. Três distâncias no programa, maratona, meia maratona e 10 km, e uma cidade inteira a vibrar em uníssono. Nesse dia, as ruas da capital espanhola transformam-se num enorme festival e a Zurich Rock‘n’Roll Running Series Madrid faz jus ao nome: música ao vivo, bailarinos, espectadores em delírio e mais de 30 pontos de animação ao longo do percurso. Mas o momento mais forte chega pouco antes de meio da prova: o famoso ponto onde os percursos se separam. A magia está nos corredores que param para abraçar os seus familiares e desejar-lhes boa sorte antes de seguirem o seu próprio caminho. De um lado, os que avançam para a distância mítica dos 42,195 km; do outro, os da meia maratona ou dos 10 km, mais razoáveis, mas igualmente orgulhosos. Madrid é uma maratona única, com o seu desnível e o seu ambiente festivo. Esta prova é uma verdadeira mistura de emoções: determinação, respeito e camaradagem.
Marine Corps Marathon (Washington) – O tiro de canhão e o Capitólio
A Marine Corps Marathon é uma prova tradicional disputada em Washington, a capital dos Estados Unidos. Começa com uma emoção intensa. Os runners estão finalmente prontos na linha de partida quando o hino americano ecoa, num silêncio de catedral. Depois, um tiro de canhão assinala a partida, como símbolo de coragem e memória para todos os que serviram nas forças armadas. O percurso acompanha o Capitólio, atravessa bairros emblemáticos da capital americana e presta homenagem aos veteranos, passando pelo Cemitério de Arlington e pelo Lincoln Memorial. A mensagem fica clara: esta maratona é tanto uma corrida como uma homenagem aos militares mortos em combate.
Boston – The Scream Tunnel
A Maratona de Boston é uma das mais prestigiadas do mundo. Uma linha quase reta entre Hopkinton e Boston, pequenas cidades que se sucedem e uma população inteira a celebrar os corredores como heróis. Há, no entanto, uma passagem que faz o coração da prova bater mais forte: o campus do Wellesley College, pouco depois do quilómetro 21. O ambiente é único. Milhares de estudantes amontoadas junto à estrada formam aquilo a que se chama o “Scream Tunnel”. Durante dias, preparam cartazes e frases originais para incentivar os corredores. O barulho ouve-se já a um quilómetro de distância. Quando se entra no túnel, é uma avalanche de gritos, sorrisos e loucura. Alguns corredores abrandam, outros chegam mesmo a parar para beijar as estudantes, numa tradição tão improvável quanto comovente. Este túnel de decibéis faz parte da alma da Maratona de Boston: uma mistura de fervor, ternura e energia bruta que, durante alguns segundos, faz esquecer a dor do esforço.
Boston – Heartbreak Hill
É impossível falar de Boston sem mencionar as Newton Hills. Quatro subidas temidas, em sequência entre os quilómetros 26 e 32, que destroem tanto as pernas como a cabeça. A última e mais famosa é Heartbreak Hill, uma subida que faz jus ao nome. A expressão nasceu em 1936. Nesse dia, o campeão em título Johnny Kelley ultrapassou o rival Ellison Brown na famosa subida e, para o incentivar, deu-lhe uma palmada no ombro. Mas o gesto, longe de desmoralizar Brown, deu-lhe nova motivação: alcançou o adversário alguns instantes depois e arrancou para a vitória. O jornalista do Boston Globe Jerry Nason escreveu que Brown tinha «partido o coração de Kelley na colina.»
O nome Heartbreak Hill tinha acabado de nascer e nunca mais abandonou a lenda da Maratona de Boston. Desde então, esta subida tornou-se um símbolo da luta interior do corredor. Depois de 30 quilómetros nas pernas, testa a cabeça tanto quanto o corpo e destrói os sonhos de muitos participantes de alcançar determinado tempo. Os espectadores, concentrados dos dois lados da estrada, gritam para manter os corredores de pé. É uma subida curta, mas traiçoeira, com 27 m de desnível positivo. Um momento decisivo da prova, em que muitos corredores embatem de frente no famoso muro da maratona. Para alguns, porém, é um momento de libertação: depois da subida, uma longa descida leva-os até ao centro de Boston.
Nova Iorque – Queensboro Bridge e First Avenue
A Queensboro Bridge é um momento-chave da Maratona de Nova Iorque. Surge pouco depois do quilómetro 25, como um momento suspenso entre dois mundos. Primeiro, o silêncio, quase religioso. Longe da multidão, só se ouve o som das sapatilhas com placa de carbono no asfalto. A vista do skyline de Manhattan é grandiosa. Depois, à saída da ponte, começa um verdadeiro concerto: a First Avenue e os milhares de espectadores, histéricos, de pé junto às barreiras. Gritos, música, cartazes, crianças a estender as mãos: nesta parte mágica do percurso, os arrepios são garantidos. É conhecida como o “muro do som”. Este contraste entre a calma e a energia da cidade faz parte das experiências mais intensas que um corredor pode viver. Este suplemento de energia chega no momento certo, antes de os runners seguirem para o Bronx e enfrentarem as subidas do Central Park.
Paris – Os Champs-Élysées
Para a sua maratona, Paris não poupa na escala. O Arco do Triunfo nas costas, a avenida mais bonita do mundo sob os pés e uma maré humana a avançar a toda a velocidade. É difícil imaginar algo mais grandioso. Manter a cabeça fria neste cenário não é fácil, sobretudo quando a emoção do momento toma conta. Mas atenção: a adrenalina da partida pode enganar. A descida pelos Champs-Élysées convida as pernas a acelerar, quando a prova está apenas a começar. É uma das armadilhas a evitar na Maratona de Paris: aproveitar este cenário excecional, sim, mas sem nos deixarmos levar e mantendo a concentração no ritmo.
Atenas – A entrada no Estádio Panatenaico
Correr em Atenas é regressar às origens. Uma forma de fechar o círculo para os maratonistas mais experientes. Depois de 42,195 quilómetros de esforço, calor e subidas, os corredores entram finalmente no Estádio Panatenaico, o estádio inteiramente revestido de mármore, construído para os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna. As bancadas brancas refletem o sol e o público aclama os finishers como heróis. Foi em Atenas que o mito da maratona criou raízes, no lugar onde o mensageiro de Maratona terá dado o último suspiro. Nesse instante, a linha de chegada ganha um sabor especial. Cada corredor sente uma ligação poderosa entre a história e a sua própria corrida. Mais do que uma simples prova, a Maratona de Atenas é uma verdadeira peregrinação.
Berlim – A Porta de Brandemburgo
É provavelmente a imagem mais icónica da maratona moderna. A linha de chegada está logo depois. Mas, antes, é preciso passar sob a Porta de Brandemburgo. Este monumento, palco da história alemã, transforma-se por um dia num portal para a libertação de todos os maratonistas. O ruído da multidão, as bandeiras das nações, a música do final da prova: tudo se conjuga para uma chegada carregada de emoção. Quando se fala da Maratona de Berlim, é inevitável pensar em Eliud Kipchoge, verdadeira lenda desta prova, e em todos os que escreveram aqui a história da maratona.
Para os corredores amadores, este momento é uma libertação. Quando a Porta surge ao longe, sabemos que o sofrimento está finalmente a chegar ao fim. É provavelmente a passagem mais fotografada da maratona. Aquela em que os corredores, exaustos mas transcendidos, encontram dentro de si reservas até então desconhecidas. As passadas alongam-se e o ritmo acelera. Levados pelos incentivos da multidão e por um cenário carregado de história, os finishers cruzam esta linha de chegada mítica num turbilhão de emoções que só a maratona sabe oferecer.
Londres – Tower Bridge
A Maratona de Londres é a mais popular do mundo. Para a edição de 2026, mais de um milhão de pessoas participaram no sorteio para conseguir um dorsal. Não é segredo para ninguém: o ambiente desta prova é excecional. A passagem mais icónica é certamente a Tower Bridge. Os corredores atravessam-na pouco antes da meia maratona, no momento ideal. Depois de um longo troço monótono, os runners fazem uma curva apertada e, de repente, o cenário abre-se. O Tamisa cintila, as torres de Londres erguem-se e a Tower Bridge aparece finalmente, majestosa, quase irreal.
Milhares de espectadores amontoam-se nos passeios e o ruído torna-se ensurdecedor. Cada nome gritado devolve um pouco de energia e orgulho aos runners. Nesse instante, deixam de ser desconhecidos: tornam-se as estrelas rock do dia, levados por uma multidão em delírio. É uma daquelas passagens em que a beleza do lugar amplifica as emoções: os corredores podem saborear a sorte de estar ali. Alguns atravessam a ponte com os olhos húmidos, incapazes de dizer se é suor, lágrimas ou simplesmente emoção. A Maratona de Londres é isto: uma festa popular ao ar livre, com a Tower Bridge como símbolo perfeito.
Tóquio – O Palácio Imperial e Ginza
Entre as seis Majors originais, a Maratona de Tóquio é talvez a mais misteriosa. É difícil conseguir um dorsal: entre os 38 000 participantes, apenas cerca de um terço vem do estrangeiro, o que reforça a sensação de entrar num mundo à parte. Desde a partida em Shinjuku, somos absorvidos pela densidade do pelotão: milhares de corredores lançam-se numa coreografia milimetricamente ensaiada. O público japonês, mais discreto do que na Europa, incentiva com acenos, sorrisos e aplausos ritmados, num fervor menos ruidoso, mas educado e sincero.
O percurso alterna entre modernidade e tradição: as artérias luminosas de Ginza, as ruelas de Asakusa e as vistas serenas sobre o Palácio Imperial. Ali, a corrida torna-se quase silenciosa e meditativa. Em Tóquio, a maratona é tanto um desafio desportivo como uma experiência cultural: precisa, tranquila, exótica e profundamente marcante.
Por trás de cada maratona há uma cidade, uma história e uma emoção. Estas passagens míticas lembram-nos que a corrida não é apenas uma questão de desempenho: é uma forma de ver o mundo de outra maneira e, sobretudo, um momento de partilha. Para muitos, estes instantes valem bem mais do que um tempo. É isto a maratona: viver emoções que só a corrida consegue oferecer.
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