Sabastian Sawe fora de Berlim, Yomif Kejelcha aponta alto em Valência: o ponto de situação dos grandes maratonas de outono
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Sabastian Sawe fora de Berlim, Yomif Kejelcha aponta alto em Valência: o ponto de situação dos grandes maratonas de outono

CL
Por Clément Laborieux

Publicado em ter., 1 de setembro de 2026

Atualizado em ter., 1 de setembro de 2026

A notícia caiu como um balde de água fria esta semana para quem vive o maratona: Sabastian Sawe, recordista do mundo e primeiro homem a passar oficialmente abaixo das duas horas, é obrigado a desistir do Maratona de Berlim devido a lesão. Depois do 1h59'30 em Londres, em abril, imaginava-se um novo ataque ao relógio no traçado ultra-plano da capital alemã. Com a época de outono prestes a arrancar e estrelas como Yomif Kejelcha, John Korir, Jacob Kiplimo, Fotyen Tesfay, Tigist Assefa, Peres Jepchirchir, Hellen Obiri, Sharon Lokedi... fazemos o ponto de situação dos elencos de elite dos grandes maratonas, a poucos dias do Maratona de Sydney.

Maratona de Sydney: Lemma, Simbu, Kiplagat, Jepchirchir num alinhamento XXL

Esta Maratona de Sydney vai ter um sabor especial. Desde 2025, a prova entrou no restritíssimo circuito dos Majors. Este novo selo de prestígio implica, entre outras coisas, um pelotão de elite muito mais forte. Nesta edição, Sydney não desilude. Nos homens, vamos ter direito a um choque de titãs liderado por Alphonse Simbu, medalha de ouro nos Campeonatos do Mundo de 2025 em Tóquio (recorde em 2h02'47). Se aparece como grande favorito, é porque o tanzaniano está numa forma brutal e raramente falha nos grandes palcos. Foi segundo em Boston em 2025 e 2026.

À frente dele, uma lenda do maratona: Sisay Lemma. Com 2h01'48 como recorde pessoal, é o oitavo homem mais rápido de sempre na distância rainha. Vencer um Major, ele sabe o que é: já carimbou Boston e Londres no currículo. Mas para ir buscar uma 3. estrela, o etíope também terá de lutar com os quenianos Timothy Kiplagat (2h02'55) e Vincent Ngetich (2h03'13), além do campeão em título Hailemaryam Kiros (recorde do percurso em 2h06'06). A estrela da pista Hagos Gebrhiwet também pode fazer estrago na estreia no maratona. No total, 14 homens do pelotão já correram abaixo de 2h05. Apesar de um percurso exigente, com 313 metros de desnível positivo, esperam-se tempos rápidos e o recorde da prova está seriamente ameaçado.

Falei com o Vincent (Kiplagat) e o Kiros (Hailemaryam). Vamos tentar fazer um novo recorde da prova. Acho que somos capazes disso, este domingo.

Alphonce Simbu

Nas mulheres, os olhos estarão postos na campeã do mundo e olímpica em título, Peres Jepchirchir. A queniana de 34 anos tem experiência de sobra nestes palcos. Aparece como grande favorita, à frente de Irine Cheptai (2h17'51), da recordista tanzaniana Magdalena Shauri, da vencedora de Osaka 2026 Stella Chesang e da ícone Vivian Cheruiyot. Aos 42 anos, a longevidade dela impressiona. Nove mulheres do pelotão têm marcas abaixo de 2h19, a corrida promete faísca e, aqui também, o recorde do percurso está em grande perigo.

Sawe fora de Berlim e Kejelcha com ambição em Valência: quem está alinhado nos grandes maratonas de outono.© London Marathon Events

Maratona de Sydney 2026

  • Data : 30 de agosto de 2026

  • Recorde do percurso : 2h06'06 (Homens), 2h18'22 (Mulheres)

  • Favoritos (Homens) : Alphonse Simbu (Tanzânia, 2h02'47), Sisay Lemma (Etiópia, 2h01'48), Timothy Kiplagat (Quénia, 2h02'55), Vincent Ngetich (Quénia, 2h03'13), Hagos Gebrhiwet (Etiópia, estreia)

  • Favoritas (Mulheres) : Peres Jepchirchir (Quénia, 2h14'43), Irine Cheptai (Quénia, 2h17'51), Magdalena Shauri (Tanzânia, 2h18'03)

Maratona de Berlim: com Tigist Assefa, os holofotes viram-se para as mulheres

Sabastian Sawe, o novo prodígio do maratona, anunciou esta semana que vai desistir do Maratona de Berlim devido a uma lesão surgida durante a preparação, sem avançar detalhes sobre o problema. É, claro, uma má notícia para quem ama o maratona: para o espetáculo e também porque as últimas prestações alimentavam sonhos grandes. Depois de se ter tornado, em abril, em Londres, o primeiro homem a passar abaixo das 2 horas no maratona, era legítimo esperar muito do regresso a Berlim, num dos percursos mais rápidos do mundo.

Ainda por cima, Sabastian Sawe era o campeão em título, coroado no ano passado em 2h02'16. Esta desistência tira-lhe também uma página de história: podia tornar-se apenas o terceiro queniano desde 2006 a vencer em Berlim dois anos seguidos, depois de Patrick Musyoki (2010-2011) e Eliud Kipchoge (quatro vezes entre 2017 e 2023). Berlim, grande evento patrocinado pela adidas, tinha apostado forte no atleta de referência da marca das três riscas. Sem ele, o pelotão de elite continua denso, com um contingente impressionante de etíopes e japoneses entre 2h03 e 2h08, mas sente-se inevitavelmente a ausência de outros nomes grandes do circuito.

É com o coração pesado que vos anuncio que sou obrigado a desistir do Maratona de Berlim devido a uma lesão. Estava ansioso por fazer algo especial nas ruas de Berlim e cruzar a meta junto à Porta de Brandemburgo. Queria também retribuir a esta prova e aos seus organizadores, que tanto me apoiaram. Quero agradecer aos meus fãs e a todos os que continuam a apoiar-me, e desejo uma grande corrida a todos os atletas que vão participar. Espero que possam aproveitar o momento, confiar no trabalho feito e orgulhar-se do que vão realizar em Berlim. Espero voltar a ver-vos em breve na linha de partida em Berlim.

Sabastian Sawe

Mas esta má notícia pode esconder uma bem melhor. Com esta desistência, os holofotes vão ficar praticamente todos na prova feminina, com a presença de Tigst Assefa. Depois do recente recorde do mundo (em prova exclusivamente feminina) em Londres, ela quer mais. O alvo é claro: o recorde do mundo que já foi dela durante um ano, graças ao 2h11'53 em 2023, precisamente aqui em Berlim. Desde então, só duas mulheres correram mais rápido: Ruth Chepngetich, ainda recordista apesar da suspensão por doping (2h09'56 em Chicago em 2024), e mais recentemente Fotyen Tesfay com 2h10'51 em Barcelona. Ao contrário de Londres, onde correu 2h15'41, Tigist Assefa vai contar com uma equipa de pacers masculinos para a levar, muito provavelmente, até ao fim.

Atrás dela, o pelotão promete ser denso e competitivo, com oito mulheres abaixo de 2h20. É, simplesmente, o pelotão de elite feminino mais compacto da história do Maratona de Berlim. Tigist Assefa destaca-se, sem dúvida. Mas não deve correr sozinha. A campeã em título Rosemary Wanjiru também estará lá. Amane Beriso, que em junho ainda era apontada para um regresso após lesão, acabou por não constar na lista de inscritas publicada em agosto. Tal como nos homens, o contingente japonês e etíope impressiona. Nota ainda para a presença de Manon Trapp, que vai tentar recuperar o recorde de França a Mekdes Woldu, detentora da marca nacional (2h23'13) desde março de 2025.

Sawe fora de Berlim e Kejelcha com ambição em Valência: quem está alinhado nos grandes maratonas de outono.© SCC Events

É com enorme prazer que, três anos depois do meu recorde do mundo em 2023, vou voltar a correr nas ruas de Berlim e tentar mais uma vez bater esse recorde. Agradeço aos organizadores por me terem convidado novamente e a todas as pessoas envolvidas pelo apoio durante o maratona. Espero ver muitos espectadores a incentivar-me.

Tigst Assefa

Maratona de Berlim 2026

  • Data : 27 de setembro de 2026

  • Recorde do percurso : 2h01'09 (Homens), 2h11'53 (Mulheres)

  • Favoritos (Homens) : Gabriel Geay (Tanzânia, 2h03'00), Getaneh Molla (Etiópia, 2h03'34), Guye Adola (Etiópia, 2h03'46)

  • Favoritas (Mulheres) : Tigst Assefa (Etiópia, 2h11'53), Rosemary Wanjiru (Quénia, 2h16'14)

Maratona de Chicago: Jacob Kiplimo abaixo das 2 horas?

Jacob Kiplimo e Hawi Feysa regressam para defender os títulos, naquele que já é apontado como um dos elencos mais densos da história da prova. Seis homens já correram abaixo de 2h04. O grande favorito só pode ser ele. Kiplimo brilhou em 2025 com 2h02'23 (2.ª melhor performance de sempre em Chicago) e, sobretudo, correu desde então 2h00'28 em Londres em 2026, numa corrida simplesmente insana. Dono do terceiro melhor tempo da história na distância rainha, o ugandês é um atleta ultra-completo. E tem velocidade. Basta lembrar os 56'42 na meia em Barcelona, recorde do mundo infelizmente não ratificado, e os 57'20 em Lisboa.

Aos 25 anos, somou ainda um terceiro título mundial de corta-mato consecutivo no início do ano, em Tallahassee (Flórida). No quarto maratona, as expectativas são enormes. O recorde do percurso de Kelvin Kiptum, 2h00'35, está em risco sério e, se as condições ajudarem, Kiplimo pode mesmo tornar-se o 3.º homem da história a correr abaixo das 2 horas...

Para isso, não estará sozinho. Pela frente terá Amos Kipruto (2h01'29 como recorde). O queniano já venceu um Major (Londres 2022), mas nas últimas provas ganhou o mau hábito de ficar muitas vezes mesmo atrás de Kiplimo (2.º no ano passado em Chicago, 4.º em Londres este ano). O duelo promete ser épico. E ainda há que contar com Alex Masai (3.º em Chicago em 2025), além de Milkesa Mengesha (vencedor em Berlim em 2024) e Tadese Takele Bikila (duplo vencedor de Tóquio). Entre os locais, o terceiro maratona de Charles Hicks vai ser especialmente aguardado. Depois de estreias bem-sucedidas em Nova Iorque em 2025 (7.º em 2h09'59) e em Boston este ano (7.º em 2h04'35), o americano de 25 anos chega com ambição no traçado ultra-rápido de Chicago.

Nas mulheres, Sharon Lokedi é uma bela surpresa neste alinhamento. Vimos a campeã queniana muitas vezes em Majors. Em seis ocasiões, pisou o asfalto de um grande maratona, mas afinal só correu Nova Iorque e Boston! Repetiu a dobradinha ano após ano, muitas vezes frente à rival Hellen Obiri nestes percursos muito ondulados e duros. Será, portanto, a primeira vez que a queniana vai alinhar num maratona conhecido por ser rápido e rolante. Estamos curiosos para ver como a experiência e as qualidades de corredora se traduzem no cronómetro. Com 2h17'22 como recorde, feito no percurso exigente de Boston, é difícil duvidar da capacidade de ir buscar um tempo abaixo de 2h15. Mas conseguirá aproximar-se das 2h10? Chicago é o campo de testes ideal para descobrir até onde ela pode ir.

Ela fará a estreia em Chicago ao lado de Brigid Kosgei, uma verdadeira lenda do maratona. Antiga recordista do mundo, dupla vencedora em Chicago, vencedora em Londres e Tóquio... o currículo não acaba. Com 2h14'04 como recorde, é claramente uma das candidatas ao trono. A campeã em título Hawi Feysa também estará presente. O bloco americano é muito forte, com 8 corredoras abaixo de 2h25, incluindo a eterna Sara Hall (2h20'32, 43 anos), Susanna Sullivan (2h21'56), ou ainda Natosha Rogers (2h23'38).

Maratona de Chicago 2026

  • Data : 11 de outubro de 2026

  • Recorde do percurso : 2h00'35 (Homens), 2h09'56 (Mulheres)

  • Favoritos (Homens) : Jacob Kiplimo (Uganda, 2h00'28), Amos Kipruto (Quénia, 2h01'39), Milkesa Mengesha (Etiópia, 2h03'17), Tadese Takele Bikila (Etiópia, 2h03'23), Daniel Mateiko (Quénia, 2h03'44)

  • Favoritas (Mulheres) : Brigid Kosgei (Quénia, 2h14'04), Hawi Feysa (Etiópia, 2h14'57), Sharon Lokedi (Quénia, 2h17'22), Megertu Alemu (Etiópia, 2h16'34), Brillian Kipkoech (Quénia, 2h17'05)

Maratona de Nova Iorque: Sifan Hassan, Hellen Obiri, Benson Kipruto e a grande estreia de Andreas Almgren

Este ano, a Maratona de Nova Iorque celebra pela 50.ª vez o percurso pelos 5 boroughs icónicos da Big Apple. É uma das provas mais populares do mundo, e também um dos maratonas mais exigentes. Com perto de 250 m de desnível positivo, as pontes em torno de Manhattan e as subidas em Central Park não vão perdoar. Hellen Obiri e Benson Kipruto estão habituados e voltam para defender os títulos. A queniana regressa em grande depois de ter cortado quase três minutos ao recorde do percurso no ano passado (2h19'51), enquanto Kipruto venceu Alexander Mutiso por apenas 16 centésimos. Aquela photo finish épica em Central Park ainda está fresca na memória.

No pelotão masculino, há ainda dois antigos vencedores a ter em conta: Geoffrey Kamworor (2017, 2019) e Abdi Nageeye (2024), além do recordista americano Conner Mantz (2h04'43). Zouhair Talbi, naturalizado americano, também estará na linha de partida e quer discutir os primeiros lugares depois do 5.º posto em Boston, com 2h03'45. O duelo entre os dois americanos promete. Deresa Geleta (2.º em Tóquio 2025) é outro nome a seguir. Mas a grande novidade é a presença do sueco Andreas Almgren, que escolheu Nova Iorque para a estreia no maratona. Ex-atleta de 800 m, teve uma ascensão fulgurante desde que se virou para as distâncias longas. Campeão europeu dos 10 000 m em Birmingham, foi bronze nos Mundiais de Tóquio do ano passado nos 10 000 m. Detentor do recorde europeu da meia maratona em 58'41, a estreia no maratona é altamente aguardada.

Nas mulheres, além de Obiri, a grande favorita chama-se Sifan Hassan. O currículo fala por si: tricampeã olímpica, tricampeã mundial... Depois de já ter vencido em Chicago, Londres e Sydney, a neerlandesa vai claramente lutar pela vitória para fazer melhor do que o 6.º lugar aqui mesmo no ano passado. Pela frente terá também Sheila Chepkirui (vencedora em 2024 e 3.ª no ano passado), Gotytom Gebreslase (campeã do mundo de 2022) e Julia Paternain (bronze nos Mundiais do ano passado). Entre as atletas da casa, as americanas querem dar nas vistas. As atenções vão sobretudo para Jessica McClain. Depois de um brilhante 5.º lugar em Boston este ano, com 2h20'49 (melhor performance americana no percurso), quer continuar na mesma toada. No total, os elencos de elite desta Maratona de Nova Iorque somam 25 medalhados olímpicos e 22 detentores de recordes nacionais... espetáculo não vai faltar.

Sawe fora de Berlim e Kejelcha com ambição em Valência: quem está alinhado nos grandes maratonas de outono.© New York Road Runners

Maratona de Nova Iorque 2026

  • Data : 1 de novembro de 2026

  • Recorde do percurso : 2h04'58 (homens), 2h19'51 (mulheres)

  • Favoritos (homens) : Benson Kipruto (Quénia, 2h02'16), Deresa Geleta (Etiópia, 2h02'38), CyBrian Kotut (Quénia, 2h03'22), Zouhair Talbi (Estados Unidos, 2h03'45), Abdi Nageeye (Países Baixos, 2h04'20), Conner Mantz (Estados Unidos, 2h04'43), Andreas Almgren (estreia)

  • Favoritas (mulheres) : Sifan Hassan (Países Baixos, 2h13'44), Hellen Obiri (Quénia, 2h15'53), Sheila Chepkirui (Quénia, 2h17'29)

Maratona de Valência: Yomif Kejelcha e Fotyen Tesfay para um duplo recorde do mundo?

Valência 2026. O grande fecho. Será finalmente o ano da Maratona de Valência? Na última década, a prova ganhou uma dimensão internacional impossível de ignorar. Vem-se aqui para correr rápido, e o mundo inteiro já percebeu isso. Valência não é um Major, certo, mas precisa mesmo? Com o selo Platinum, o mais alto da World Athletics, o evento atrai todos os anos os melhores do planeta. Sawe, Kiptum, Tolat, Jepkosgei, Jepchirchir, Beriso, todos já passaram pela “Ciudad del Running”. Yomif Kejelcha também conhece bem a zona: correu a Meia de Valência nos últimos três anos. O etíope, um verdadeiro míssil na pista e com um palmarés impressionante, fez a estreia no maratona este ano em Londres. E o resto é conhecido: 1h59'41. Sub-2h logo no primeiro maratona.

Em Valência, este ano, o míssil equipado pela adidas tem uma única ideia na cabeça: ir ainda mais rápido. A organização promete um prémio de 1 milhão de euros em caso de recorde do mundo, algo nunca visto no universo do maratona. As expectativas são gigantes e, ao mesmo tempo, realistas. Depois de ter recuperado recentemente o recorde do mundo da meia maratona em Buenos Aires, com 56'51, deixou um sinal fortíssimo ao planeta da corrida. E no percurso ultra-plano de Valência, um novo 1h59 é mais do que plausível para ele.

Sawe fora de Berlim e Kejelcha com ambição em Valência: quem está alinhado nos grandes maratonas de outono.© London Marathon

Nas ruas de Valência, vai reencontrar o campeão em título John Korir, também duplo vencedor em Boston (recorde em 2h01'52). Corredor fogoso e generoso, Korir optou desta vez por uma abordagem mais científica ao treino, com a ajuda da Wake Forest University, na Carolina do Norte. O duelo com Yomif Kejelcha promete ser memorável e o recorde do percurso está em perigo. Entre os homens que também vão querer as primeiras posições, destaca-se ainda Alexander Mutiso (2h03'11), habituado a pódios em Majors e vencedor em Londres em 2024.

Nas mulheres, também vai voar. A favorita é ninguém menos do que Fotyen Tesfay. A etíope impressionou no início do ano na estreia no maratona em Barcelona, com 2h10'51, um tempo que vale a segunda melhor performance mundial de sempre. Numa prova ainda mais rápida como Valência, e com mais experiência, o recorde do mundo está claramente no radar. Para chegar lá, terá concorrência forte: a campeã em título Joyciline Jepkosgei (2h14'00, recorde do percurso feito no ano passado) também estará presente. A probabilidade de vermos um duplo recorde do mundo (masculino e feminino) nas ruas de Valência nunca foi tão alta. A americana Emily Sisson também é anunciada na linha de partida, com esperança de baixar o recorde nacional de 2h18'29.

Sawe fora de Berlim e Kejelcha com ambição em Valência: quem está alinhado nos grandes maratonas de outono.© Barcelona Marathon

Maratona de Valência 2026

  • Data : 6 de dezembro de 2026

  • Recorde do percurso : 2h04'58 (Homens), 2h19'51 (Mulheres)

  • Favoritos (Homens) : Yomif Kejelcha (Etiópia, 1h59'41), John Korir (Quénia, 2h02'24), Alexander Mutiso (Quénia, 2h03'11)

  • Favoritas (Mulheres) : Fotyen Tesfay (Etiópia, 2h10'52), Joyciline Jepkosgei (Quénia, 2h14'00)

Tamirat Tola ausente

Mesmo assim, há algumas ausências neste outono. Sabastian Sawe, como vimos, não vai estar em Berlim, mas nada impede de imaginar um regresso relâmpago em Valência, em dezembro, se recuperar rápido da lesão: a perspetiva de um remake da corrida mais louca da história, frente a Yomif Kejelcha, faria sonhar qualquer apaixonado por corrida. Outra ausência que salta à vista: Tamirat Tola. Campeão olímpico de 2024 e recordista do percurso em Nova Iorque, o etíope não aparece em nenhum dos elencos anunciados para este outono.

Esta época de outono promete ser simplesmente incrível. Velocidade pura em Chicago e Valência, recordes nacionais que devem cair em série e, quem sabe, um duplo recorde do mundo na reta final de Valência, no famoso tapete azul. Depois de termos sonhado em Londres na primavera, a probabilidade nunca foi tão alta.

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