Inscrição confirmada! Bem… quase: pequeno guia dos falhanços online
Entre a pressa, o entusiasmo e os cliques infelizes, a inscrição online numa corrida pode rapidamente transformar-se num sketch. Pensávamos estar prontos para a partida e acabamos a correr atrás de um dorsal… ou da nossa dignidade.
✓ Uma antologia dos melhores falhanços nas inscrições, vividos ou quase por qualquer corredor demasiado apressado.
O erro na data: partir à conquista de 18 de maio… de 2024
Tudo começa muitas vezes com uma boa intenção: inscrever-se cedo. Ficar entre os primeiros, aproveitar o preço promocional, marcar a data no calendário. Só que, às vezes, o entusiasmo passa um pouco dos limites. E pronto, confirmas sem prestar grande atenção… para o ano errado. Ou para o mês errado. Ou pior, para uma corrida que já aconteceu. É aquele falhanço discreto que só vem ao de cima demasiado tarde, muitas vezes quando recebes um email de agradecimento pela participação numa prova em que nunca estiveste.
E aí instala-se o pânico. Voltas ao site da corrida, procuras as condições de cancelamento, ponderas enviar um email desesperado à organização. Tarde demais. «Cheguei a Millau no fim de semana da Ascensão… mas em 2023, em vez de 2024», conta Julien, ainda um pouco traumatizado. «Ainda corri uns vinte quilómetros, para rentabilizar o hotel». Isto é compromisso.
A escolha da distância: maratona ou corrida infantil?
É provavelmente o falhanço mais traiçoeiro. Aquele que se infiltra na tua cabeça entre dois cliques, enquanto relês uma mensagem, ouves um podcast ou encomendas um hambúrguer noutra aplicação. Querias inscrever-te na meia? De repente, estás comprometido com 90 quilómetros. Ou, pelo contrário, apontavas ao grande desafio… e acabas nos 5 km familiares, com abastecimento a cada 800 metros e ambiente de colónia de férias.
Hoje, Claire já se ri da situação. «Queria fazer um trail curto de 12 km para testar o joelho. Cliquei depressa demais… e fui parar aos 80 km. Era impossível cancelar. Fiz 25 km e desisti, claro.» O pior é que, às vezes, ninguém percebe o erro até ao levantamento do dorsal. E aí já é tarde: a logística está fechada, os blocos de partida estão cheios, a camisola já foi estampada. Ou corres, ou choras. Ou fazes as duas coisas.
A camisola de finisher em XXL… para um corredor que veste XS
Ah, a camisola de finisher. O troféu pós-prova que exibimos orgulhosamente no aperitivo ou guardamos religiosamente na gaveta “especial das memórias que ainda cheiram a suor”. E, no entanto, demasiadas vezes não serve. Tamanho S para um homem de 1,85 m, XXL para uma mulher de 1,60 m. E há sempre aquele momento de hesitação ao levantá-la: «Hum… foi mesmo este o tamanho que pedi?»
Na verdade, já nem sabes. Talvez tenhas clicado depressa demais. Talvez tenhas pensado «vou levar um tamanho acima, nunca se sabe». Ou talvez tenhas confundido a tabela europeia com a tabela americana. Resultado: uma camisola que passa a ser pijama ou donativo para um primo mais corpulento. Mehdi transformou isto num ritual. «Tenho todos os modelos, do XS ao XL. Parece que sou patrocinado pela Decathlon nos dias maus.»
Menção especial para as trocas clandestinas entre finishers. Aqueles pequenos negócios no pós-prova em que tentas trocar o teu M por um L através de olhares cúmplices junto ao pódio. A bolsa do vestuário técnico, versão de terreno.
O nome escrito de forma bastante estranha
É um detalhe. Só que, quando aparece impresso em letras grandes no dorsal, passa a ser o centro das atenções. Entre a escrita demasiado rápida, o autocorretor traquina ou o erro de um voluntário no secretariado, o teu nome sofre. E tu também. Chamas-te Antoine? Bem-vindo, Anthony. Chamas-te Élise? Boa noite, Elisa. E, às vezes, é ainda mais estranho: Jean-Charles transforma-se em “Jean-Chair”. Ninguém sabe como.
E estes erros não passam despercebidos. Os speakers gritam-nos ao microfone, os espectadores repetem-nos, as fotografias imortalizam-nos. “O meu dorsal tinha o nome da minha irmã, porque usei a conta dela para me inscrever. Por isso, durante toda a corrida, fui a ‘Justine’”, conta um corredor anónimo, que preferiu manter o anonimato nesta aventura. A este nível, já roça a usurpação de identidade.
O endereço de email errado: inscrição fantasma garantida
Último falhanço, mas não menos importante: o famoso endereço de email mal escrito. Pensas que estás inscrito, parece estar tudo bem, fechas o separador tranquilamente… e nunca recebes nada. Nem confirmação, nem informações sobre a prova, nem mapa de acessos, nem número de dorsal. Nada. O vazio. Porque, em vez de «gmail.com», escreveste «gmial.com». Ou porque usaste o endereço do liceu, aquele que não abres desde que Sarkozy era presidente.
E aí tudo se complica. Apareces na partida sem informação. Explicas que estás inscrito, mas não tens qualquer prova. O voluntário torce o nariz. Procura na lista. Nada. E tu, com as mãos húmidas, rezas para que te deixe passar na mesma. Às vezes resulta. Muitas vezes, não.
Inscrição online, atenção offline
Inscrever-se numa corrida online é um momento importante. Um clique que te projeta para o objetivo, faz nascer borboletas na barriga… e merece um mínimo de rigor. Porque um simples detalhe pode transformar um sonho num sketch. Por isso, fica o conselho: relê tudo duas vezes. Confirma a data, a distância, o tamanho da camisola, o teu nome, o teu email. E não tenhas pressa. Como nos abastecimentos. Como na linha de partida.
E, na pior das hipóteses, consola-te com esta frase de Serena Williams: «São os pequenos erros que te ensinam as grandes lições». Para meditar. Ou para emoldurar. Mesmo por cima da coleção de camisolas demasiado grandes.