Os 10 maiores maratonas de Portugal

DV
Por Dorian Vuillet

Publicado em qua., 5 de agosto de 2026

Os 10 maiores maratonas de Portugal
© EDP Marathon de Lisbonne

Correr em Portugal é atravessar um país com a doçura no ar e energia nas pernas. Há ruelas de calçada cheias de história, estradas costeiras abertas para o Atlântico, agulhas de igrejas a recortar um céu azul atrevido… E depois há estas maratonas, todas diferentes, todas irresistíveis. Esta viagem faz-se por etapas, como uma odisseia lusitana com um dorsal ao peito. Aqui estão dez provas que desenham o verdadeiro mapa da maratona portuguesa.

1. Maratona de Lisboa

O grande palco da corrida em Portugal

É difícil começar noutro sítio que não a capital. A Maratona de Lisboa tem aquele perfume de imperdível, quase de ritual. A partida sai de Cascais, mar à esquerda, a luz a nascer como num set de cinema, e corredores vindos do mundo inteiro. A entrada em Lisboa parece um longo plano-sequência: Belém, o Tejo, a marginal, as fachadas amarelas, e depois a famosa chegada à “Praça do Comércio”, que às vezes dá mesmo a sensação de ganhar uma prova mítica.

Em 2025, a corrida está em plena expansão. A comunidade cresce, mas há o outro lado da moeda: para garantir um dorsal numa grande prova, por vezes é preciso tratar disso com um ano de antecedência. Um verdadeiro quebra-cabeças para quem procura um objetivo. E, no entanto, ainda há pérolas na Europa, a poucas horas de França, com condições ideais para correr este ano: percurso rápido, organização ao milímetro, meteorologia perfeita, ambiente de festa e cenário de postal. Este ano, o destino é Portugal para viver um fim de semana desportivo inesquecível: a Maratona de Lisboa.© EDP Marathon de Lisbonne

Os números falam por si. Em 2024, 5 679 finishers cruzaram a meta. Em 2025, a prova até rebentou com o conta-quilómetros: mais de 9 000 chegados, com corredores de 147 nacionalidades. O recorde do percurso também diz tudo sobre a velocidade possível: 2h05’52 de Andualem Shiferaw. Lisboa, no fundo, é um pouco o aeroporto de todas as histórias de corrida; cada um encontra ali a sua porta de embarque.


2. Maratona do Porto

A maratona com as cores do Douro

Mais a norte, a beleza muda, e o ambiente também. O Porto oferece uma maratona que desliza entre os cais da Ribeira, as pontes de Eiffel, as caves de vinho e a foz do oceano. Sente-se aquele misto de cidade popular e postal moderno.

Os números oscilam de edição para edição, mas a prova já juntou perto de 4 700 finishers, para um total de 15 000 participantes este ano sempre com o mesmo espírito de corrida calorosa, sem artifícios. O recorde masculino desce a 2h08’58 (o queniano Zablon Chumba em 2021), prova de que a estrada rola bem.


3. Maratona da Europa

✓ A “Veneza portuguesa” que virou terreno de recordes

Aveiro não joga na mesma liga em termos de antiguidade, mas a Maratona da Europa soube construir uma identidade bem moderna. Canais, passadiços, fachadas art nouveau: tudo parece encenado, quase como se a cidade se tivesse preparado para as câmaras. Desde 2023, a Maratona da Europa tem o selo oficial da World Athletics para provas de estrada, colocando Aveiro no mapa das maratonas mais prestigiadas do continente (e do mundo?).

No plano desportivo, a prova não tem nada de postal parado: quer-se rápida, afinada, ambiciosa. Em 2024, Mohamed Chaaboud engoliu o percurso em 2h09’20, seguido de perto por Dominic Omare em 2h09’57. Aveiro nem sempre divulga os números de finishers, mas a prova já aparece entre as 100 melhores corridas do mundo em alguns rankings internacionais.


4. Eco Maratona de Lisboa

A capital em modo natureza

Em pleno mês de abril, quando Lisboa começa a aquecer devagar, a Eco Maratona abre caminho num cenário que pouca gente imagina em pleno tecido urbano (colinas arborizadas, parques escondidos e vista de cima para o Tejo). Cerca de 3 000 participantes no máximo repartem-se pelas três distâncias (10 km, meia e maratona) e vêm testar as pernas num traçado que não massaja o ego, mas paga o esforço: são perto de 700 m de desnível positivo nos 42 km, uma raridade numa corrida 100 {929902e1ae24fbd41363c9a1c32dfbb627114431c099f6444c46d2492cf1e17f} urbana.

Bem diferente da vizinha lisboeta, a versão Eco revela uma Lisboa secreta, a que faz arder os quadríceps e mostra a cidade pelos seus pontos altos. O recorde masculino anda à volta das 2h29, o feminino perto das 3h00, tempos que dizem muito sobre a dureza do percurso, quase introspectivo. Já o ambiente pende para o sustentável: abastecimentos quase sem plástico, animação local, voluntários ultra envolvidos. Uma maratona para quem gosta de Lisboa, mas sobretudo para quem gosta quando a cidade conta outra história.


5. Maratona do Funchal

A maratona insular que sobe no coração dos corredores

A Madeira não é só a ilha do CR7: é também um cenário que pode intimidar, entre falésias, colinas e estradas retorcidas. Ainda assim, a Maratona do Funchal vive-se como uma maratona acessível, bem desenhada, pensada para receber os corredores com suavidade. A última edição bateu um recorde: 1 511 inscritos, incluindo 1 050 estrangeiros.

© Facebook Enyo Freitas

No fim, 278 finishers levaram a melhor sobre um percurso em volta que, por vezes, dá a sensação de estar a correr à volta do Atlântico. O ambiente é único. Aqui corre-se no meio de palmeiras, vegetação exuberante e um clima eternamente ameno. Um “postal desportivo” que fica na memória.


6. Estrela Road Challenge

✓ Onde a estrada toca o céu

No coração da Serra da Estrela, a estrada empina e as pernas aquecem. O Estrela Road Challenge é daquelas provas que transformam uma simples fita de asfalto numa expedição de montanha. À volta de 1 500 participantes enfrentam-na todos os anos, atraídos por esta subida mítica até à Torre, o ponto mais alto de Portugal continental.

© Instagram @estrela.road.challenge

No Uphill de 21 km, a inclinação (3 000 m de desnível positivo) faz o que tem a fazer, sem remorsos; nos 42 km ida e volta, a descida vira uma segunda batalha. Em pano de fundo, vales glaciares, rochedos gigantes e cristas douradas dão a cada corredor um cenário que vale todas as medalhas. Uma prova dura, magnífica, quase espiritual, o lugar certo para quem quer ver até onde a estrada o consegue levar.


7. Gerês Extreme Marathon

A maratona que faz a montanha rugir

No coração do Parque Nacional da Peneda-Gerês, onde as estradas acompanham lagos turquesa e encostas de granito, a “Gerês Extreme Marathon” entrega uma experiência a roçar a epopeia no fim do ano (de 5 a 7 de dezembro). Cerca de 1 800 participantes alinham todos os anos nas várias distâncias, mas na maratona só 500 atrevidos encaram um percurso que, por vezes, beija os 1 000 m de desnível positivo.

O cenário trata do resto: florestas profundas, aldeias agarradas à rocha, cascatas ao longe e um silêncio total, quebrado apenas pela respiração dos corredores. O tempo vencedor costuma andar perto das 3h00, prova de que aqui a velocidade acaba apanhada pela dureza do terreno.


8. Maratona dos Filhos da Freita

A escola da dureza, versão Arouca

Na Serra da Freita, acima de Arouca (noroeste do país), a Maratona dos Filhos da Freita parece mais um rito de passagem do que uma simples prova. À volta de 1 200 participantes, e apenas 200 nos 42,195 km, aparecem todos os anos, atraídos por uma reputação esculpida na pedra: subidas temíveis, calor por vezes severo e um traçado que roça os 1 200 m de D+ em estrada e caminhos mistos.

© Maratona Filhos da Freita

Os campeões que vencem costumam andar por tempos entre 3h15 e 3h30, tal é a exigência: pede mais coragem do que velocidade. Lá em cima, o panorama sobre os planaltos despidos recompensa largamente o esforço, tal como a energia local, crua, calorosa, autêntica.


9. Ultra Maratona Atlantica

A longa reta que nunca mente

Entre Melides e Tróia, perto de Setúbal (a sul de Lisboa), a praia vira uma pista infinita e a Ultra Maratona Atlantica transforma cada passada numa luta contra a areia, o vento e nós próprios. À volta de 800 participantes partem todos os verões para esta corrida mítica de 45 km, uma maratona XXL onde o horizonte quase não mexe.

O percurso, todo desenhado na praia, obriga a uma gestão de esforço ao milímetro: areia fofa no arranque, firmeza que muda com as marés, calor a subir a partir do meio-dia. Os melhores fecham a prova perto das 3h00, um tempo que, visto o piso, quase equivale a um sub-2h30 em estrada. O ambiente oscila entre a solidão escolhida e a poesia pura. Um cenário paradisíaco: oceano à esquerda, dunas à direita, silêncio total, com o som das ondas a marcar o ritmo.


10. Summer Run Coimbra

A cidade universitária em modo sunset run

Quando o verão alonga os dias e o Mondego se pinta de ouro, a Summer Run Coimbra transforma a mais antiga cidade universitária de Portugal num playground luminoso. Cerca de 900 participantes respondem ao convite todos os anos, atraídos por uma noite em que corrida e ambiente de verão andam de mãos dadas.

O percurso segue junto às margens, sobe ligeiramente para a cidade velha e depois desce com suavidade, oferecendo aqueles panoramas de que Coimbra tem o segredo: pontes iluminadas, fachadas históricas e um sopro musical vindo dos estudantes. Uma corrida conviv ial, quente, ritmada, perfeita para quem gosta de sentir o verão até nas passadas.

Descubra todas as corridas em Portugal