A medalha de finisher divide opiniões. Conta a história de um corredor que alcançou um feito e saboreia uma recompensa carregada de significado. Mas muitas acabam esquecidas no fundo das gavetas e têm um peso considerável em termos energéticos. Não há dúvida: são motivo de debate.
Finisher de uma maratona ou de uma prova de 5 km: no fundo, é tudo a mesma coisa. A distância pouco importa diante da conquista que representa simplesmente chegar à meta, sem caminhar ou dentro de um determinado tempo. Entregue pelos voluntários à chegada, a medalha dos finishers é, acima de tudo, um símbolo forte: o de ter ido até ao fim. Recompensa o esforço feito para tentar alcançar um objetivo, tenha ele sido plenamente cumprido ou não.
No fim de contas, é mais a tentativa do que o resultado em si que é celebrada. Mas será que nos sentimos realmente legítimos ao receber esta medalha quando o objetivo não foi alcançado? Merecemo-la de facto? Por um lado, sim: terminar uma prova merece ser celebrado, sobretudo quando a ambição inicial era simplesmente chegar ao fim. Por outro, pode parecer ultrapassada a quem participa em provas todos os fins de semana. Nesse caso, não será supérflua? Ainda mais numa altura em que o seu custo energético e ambiental suscita dúvidas. Recolocada no seu contexto, continuará esta medalha a ser realmente um «must-have»?
Quando a medalha faz sentido
Para alguns finishers, a medalha é a prova de que a corrida correu bem. Significa, acima de tudo, que a linha de chegada foi cruzada, independentemente dos meios usados para lá chegar. Lénnie terminou os 5 km de Toulouse. E o orgulho de se ter superado foi imenso. A emoção era palpável; a autoestima, raramente tão forte. A medalha torna-se então portadora de um verdadeiro símbolo. «Guardo-a com muito carinho, para manter uma recordação, conta. Parti do zero e treinei durante dois meses para isto.» A mulher de trinta e poucos anos guarda cuidadosamente as poucas medalhas que tem, mesmo as mais antigas, para nunca se esquecer. «Quando tinha 6 anos, participei numa prova de corta-mato e ainda tenho essa primeira medalha», sorri. Colocada numa pequena prateleira, contribui para a decoração do seu apartamento. Lénnie não é a única a gostar de receber este pequeno troféu e a guardá-lo cuidadosamente. Nicolas, um corredor regular, também encontrou uma forma de as exibir: «Tenho uma vitrina em frente à cama onde as minhas medalhas de finisher estão protegidas do pó.»
Para outros, a medalha é sobretudo um suporte de memória, uma lembrança tangível de um evento ou de um desempenho marcante. «Quando bato um recorde, gosto de mandar gravar a medalha com a data e o meu novo tempo», explica Vincent, ligado à recordação material de uma prova particularmente importante para si.
Mas este apego não é universal. Alguns corredores olham para estas medalhas de forma mais ponderada. «Compreendo a importância de receber uma na primeira corrida ou numa prova que nos diga realmente alguma coisa, reconhece Nathalie, uma corredora com mais de sessenta anos. Mas, para um finisher “normal”, não tenho a certeza de que seja uma necessidade.» Uma opinião partilhada por Pascal, mais crítico, que vê nelas exibicionismo e uma forma de prestígio: «Pergunto-me se, por vezes, não servem para satisfazer o ego de alguns participantes». Nem todos os corredores atribuem, por isso, o mesmo valor simbólico à medalha. Se pode representar orgulho, memória ou motivação, a sua utilidade real continua a suscitar dúvidas.
O reverso da medalha
Alguns defendem simplesmente que os participantes possam escolher, no momento da inscrição, se querem ou não receber uma medalha. Se acabam por ganhar pó nos armários ou ocupar espaço nos roupeiros, é porque não têm necessariamente uma utilidade própria. Sobretudo entre os corredores regulares, que acumulam dorsais e medalhas: estas acabam empilhadas nos braços dos candeeiros. É certo que são mais fáceis de arrumar do que as taças, que por vezes ocupam prateleiras inteiras, mas o efeito é o mesmo.
Ainda é complicado eliminar totalmente a medalha, mas vamos conseguir.
Do lado dos organizadores, algumas provas já adotaram uma política mais contida, banindo os «brindes» e, por consequência, as medalhas. Primeira razão: o custo financeiro. «Eliminá-las poderia permitir aos organizadores poupar dinheiro, salienta Pauline, participante regular da Maratona de Annecy, que apreciou poder escolher o material da medalha em 2020, entre madeira e metal.
Segunda razão: o impacto ambiental. As medalhas de metal têm uma pegada carbónica elevada, cerca de 0,8 kg de CO₂ cada uma, e começam a surgir alternativas. Hervé Pardailhé-Galabrun, fundador da associação EcoTrail Organisation, afirma: «Tento eliminar os brindes de todas as nossas provas. Ainda é complicado eliminar totalmente a medalha, mas vamos conseguir. Começámos por medalhas de madeira, que consomem muito pouca energia: 0,0367 kg de CO₂». E o organizador da EcoTrail Paris acertou: a pegada carbónica de uma medalha de madeira é geralmente muito menor do que a de uma medalha de metal, sobretudo quando a madeira provém de florestas geridas de forma sustentável. Ao contrário do metal, o seu fabrico não envolve fundições ou processos de fusão com elevado consumo energético, e a madeira pode até armazenar o carbono captado pela árvore durante o crescimento.
No mesmo espírito, Adrien Tarenne, criador do Ekiden de Montgeron, apoiado pelo clube ES Montgeron e pela cidade, implementou várias medidas para se aproximar de um evento sem resíduos: abastecimentos caseiros, proibição de garrafas de plástico, produtos locais oferecidos em sacos de juta reutilizáveis, como mel, massa e xarope, medalhas de madeira produzidas localmente, recolha e reutilização de roupa, casas de banho secas e nenhum folheto: «Independentemente da dimensão da nossa organização, adotar uma abordagem ambientalmente responsável é hoje incontornável», confirma o diretor de prova.
Então, será que devemos eliminar todos os objetos associados a uma prova, como medalhas e t-shirts, ou guardar apenas alguns? As t-shirts, por exemplo, têm uma utilização mais prática: servem para treinar e para várias atividades ao ar livre. Podem claramente substituir uma compra futura.
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