Como atar corretamente os atacadores das sapatilhas de corrida: o guia completo
Publicado em qui., 10 de setembro de 2026
Atualizado em qui., 10 de setembro de 2026
Pontos de compressão, formigueiro, desconforto, falta de suporte: atar os atacadores é um exercício delicado que influencia diretamente a estabilidade, o conforto, a prevenção de bolhas e o suporte do pé. Longe de existir uma única forma, há várias técnicas de atar sapatilhas de corrida.
Atar os atacadores na corrida: um detalhe crucial
Muitas vezes desvalorizado, o modo de atar os atacadores é, ainda assim, um detalhe crucial na corrida.
✓ Contribui para o conforto geral. Demasiado apertados, os atacadores criam pontos de compressão na parte superior do pé. Demasiado soltos, provocam fricção, com o consequente risco de bolhas, e deixam o pé sem o suporte necessário.
✓ Contribui para o suporte e a estabilidade ao garantir um bom bloqueio do calcanhar e o suporte do médio-pé. O risco de entorse diminui quando as sapatilhas estão bem apertadas.
✓ Pode ser personalizado de acordo com a morfologia do pé e as preferências de cada pessoa. Para além de escolher o tamanho adequado, a forma de atar os atacadores permite adaptar o ajuste às diferentes formas do pé, a eventuais lesões ou às sensações preferidas por cada corredor.
Os fundamentos de um ajuste perfeito
Simplificando, atar os atacadores resume-se a 4 pontos-chave:
Apertar com a tensão certa: o desafio está em encontrar um aperto nem demasiado forte, nem demasiado solto. Para ter uma referência, depois de ajustar os atacadores deve ser possível passar um dedo entre a língua da sapatilha e o atacador.
Privilegiar a simetria: manter comprimentos semelhantes dos atacadores de cada lado ajuda a garantir um aperto equilibrado.
Escolher o comprimento e o material: atacadores demasiado curtos impedem algumas técnicas, enquanto os achatados costumam manter-se melhor do que os redondos. Também existem atacadores elásticos, particularmente úteis no triatlo por acelerarem o calçar, embora sejam menos precisos.
Fazer um nó duplo: é fácil de fazer e ajuda a manter o ajuste seguro.
Alguns erros frequentes podem ser facilmente evitados:
✓ Deixar as pontas compridas soltas: a receita ideal para uma queda! Faça um nó duplo ou esconda as pontas sob os atacadores, ou no bolso próprio, caso a sapatilha tenha um.
✓ Apertar apenas na parte de cima : a tensão deve ser progressiva.
✓ Ignorar os ilhós adicionais: servem para bloquear o calcanhar.
✓ Nunca alterar a forma de atar os atacadores: vale a pena mudar de método consoante o tipo de treino, como séries ou corrida longa, o tempo, já que os pés incham com o calor, e o terreno, seja estrada, trilho, plano ou acidentado.
8 técnicas indispensáveis para atar as sapatilhas
Técnica n.º 1: o cruzamento clássico
➜ Uma técnica versátil para usar no dia a dia, quando não existe nenhum problema específico nos pés.
➜ Como fazer: Passe os atacadores de baixo para cima, cruzando-os em cada ilhó. Aperte progressivamente para distribuir a pressão de forma uniforme. Termine com um nó simples ou duplo.
Técnica n.º 2: o nó do corredor
➜ Uma técnica que impede o calcanhar de deslizar e reduz a fricção e as bolhas na parte de trás do pé. Indicada para quem tem o calcanhar estreito ou usa uma sapatilha ligeiramente grande.
➜ Como fazer: Suba normalmente até ao último ilhó, sem passar o atacador por ele. Passe cada ponta pelo ilhó superior do mesmo lado, formando uma pequena laçada. Cruze as pontas e introduza cada uma na laçada do lado oposto. Aperte para baixo e faça o nó final.
Técnica n.º 3: o ajuste para pé largo
➜ Uma técnica que liberta espaço na caixa dos dedos e reduz a pressão na parte da frente do pé. Indicada para pés largos ou para quem quer mais espaço à frente.
➜ Como fazer: Comece a passar os atacadores um ilhó acima do mais baixo. Suba com o cruzamento clássico, sem apertar demasiado o antepé. Se necessário, termine com o bloqueio do calcanhar, usando a técnica n.º 2.
Técnica n.º 4: o ajuste para peito do pé alto
➜ Uma técnica para evitar a compressão na parte superior do pé. Também conhecida como “skip lacing” ou laçada em janela. Indicada para pés volumosos em altura.
➜ Como fazer: Ate normalmente, seguindo a técnica n.º 1, até à zona dolorosa. Salte o ilhó correspondente à área de compressão para criar uma janela de alívio. Retome a técnica n.º 1 até ao topo.
Técnica n.º 5: o laçado paralelo
➜ Uma técnica para reduzir os pontos de pressão. Também conhecida como “bar lacing”. Indicada para pés sensíveis à pressão.
➜ Como fazer: os atacadores sobem horizontalmente de um lado ao outro, sem se cruzarem sobre a língua da sapatilha. Como é difícil explicar esta técnica sem um esquema ou vídeo, vale a pena fazer uma pequena pesquisa na internet para perceber como a executar corretamente.
Técnica n.º 6: o ajuste para unhas negras
➜ Uma técnica usada sobretudo por praticantes de trail que sofrem de unhas negras devido às descidas, mas também por corredores de estrada com os dedos sensíveis. Ajuda a evitar que os dedos batam na frente da sapatilha.
➜ Como fazer: Use a técnica n.º 2 para imobilizar bem o calcanhar. Aperte mais o antepé, sem exagerar. Confirme o tamanho: uma sapatilha demasiado pequena provoca microimpactos dos dedos contra a frente.
Técnica n.º 7: o laçado assimétrico
➜ Uma técnica para dores sentidas na lateral do pé. Permite desviar a pressão de uma zona irritada.
➜ Como fazer: Comece com o cruzamento clássico no primeiro ilhó e desloque progressivamente o ponto de cruzamento dos atacadores para evitar a zona sensível. Se necessário, salte um ilhó apenas de um dos lados.
Técnica n.º 8: o ajuste para um tendão de Aquiles sensível
➜ Uma técnica para reduzir a fricção no calcanhar e a tensão em torno de um calcanhar irritado.
➜ Como fazer: Aperte progressivamente o médio-pé e deixe o laçado ligeiramente mais solto na zona do peito do pé.
Atar os atacadores é uma arte que merece a atenção de qualquer corredor, independentemente da sua disciplina de eleição. Em distâncias longas, como a maratona, fazê-lo corretamente é ainda mais importante: o esforço prolonga-se e os pés precisam de passar despercebidos. Cada corredor deve encontrar a técnica que melhor lhe serve e ajustá-la ao treino e ao terreno em que corre.