Saucony e Pyrene levam seu pop-up store ao coração da Maratona de Paris

EB
Por Emma Bert

Publicado em qui., 10 de setembro de 2026

Atualizado em qui., 10 de setembro de 2026

Saucony e Pyrene levam seu pop-up store ao coração da Maratona de Paris
© Emma Bert / MARATHONS.COM

As marcas estiveram especialmente próximas dos corredores durante a semana da Maratona de Paris. A Saucony chamou atenção com um pop-up store de cores vibrantes, instalado no coração do bairro do Marais. Ativações variadas e conversas sobre as inovações da marca de equipamentos e do laboratório francês de nutrição Pyrene animaram várias noites.

Uma fachada recém-pintada de amarelo fluorescente, cortada por listras pretas, criava um cenário marcante. O espaço destoava das fachadas parisienses em tons de cinza e atraía imediatamente os olhares. A marca norte-americana de running Saucony, a mais antiga do mundo, fundada em 1898, uniu-se à jovem empresa francesa Pyrene. Uma oportunidade para traçar um paralelo entre a evolução dos tênis e a da nutrição, a partir de uma visão comum sobre a endurance.

Pyrene, laboratório francês de nutrição para endurance

A colaboração traduz os laços de amizade entre as duas empresas, construídos desde os primeiros passos da Pyrene. As duas companhias trabalham regularmente em projetos ligados às longas distâncias na corrida, especialmente em provas com mais de 200 km. Um verdadeiro laboratório de testes para a Saucony e uma oportunidade de desenvolvimento para a Pyrene.

A marca de nutrição nasceu em Toulouse no fim de 2024. Em um mercado extremamente competitivo, com mais de 250 fabricantes na Europa, o laboratório se diferencia ao desenvolver e produzir uma linha de novo tipo. «Nossas fórmulas se baseiam na literatura científica, na qualidade das matérias-primas e em protocolos de ingestão particularmente inovadores no mundo da endurance», explica Emmanuel Lamarre, fundador da empresa.

A constatação é clara: nas longas distâncias, os atletas ficam saturados de tanto comer e passam a ter dificuldade para digerir depois de certo tempo de esforço. O problema costuma aparecer como enjoo, seguido pela interrupção do consumo de géis e outros produtos. Afinal, depois de 75 minutos de atividade, as reservas de energia caem significativamente sem uma fonte externa de carboidratos.

«Queríamos responder ao desafio da digestibilidade», detalha o especialista, que veio do rugby e da consultoria para indústrias complexas. «Os produtos costumam ser ácidos por razões de conservação, o que pode provocar efeitos indesejáveis. Por isso, apostamos em oferecer os nossos sem conservantes». Uma escolha que impõe exigências à produção, já que envolve protocolos específicos, com padrão farmacêutico. «É isso que permite obter substâncias muito bem toleradas. Nossas fórmulas são novas em termos de composição, origem das matérias-primas e osmolaridade. Oferecemos soluções mais fáceis de digerir, menos doces ao paladar e, portanto, menos enjoativas, com um protocolo de dosagem simplificado».

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Bebidas com design de produto farmacêutico

Com formato de recipiente reutilizável e tampa emprestada da indústria farmacêutica, as soluções surpreendem pela embalagem. A dose é definida de acordo com a duração e a intensidade do esforço. Um diagrama no verso da embalagem permite saber de relance quanto o atleta precisa consumir. Segundo a Pyrene, um recipiente cobre de sete a oito horas de esforço.

Depois, a dose é colocada em uma garrafa ou soft flask para a sua sessão, permitindo concentrar toda a nutrição em um único suporte. Isso tira da cabeça essa parte do protocolo nutricional, que pode ser trabalhosa, sobretudo quando envolve muitos géis de uso único

Emmanuel Lamarre

Pyrene Metabolic Scan, uma fonte valiosa de dados

O consumo de carboidratos depende muito da intensidade do esforço e varia de pessoa para pessoa. Para demonstrar isso, o laboratório criou o «Pyrene Metabolic Scan» no espaço temporário. O teste mede o VO2 máx. do atleta e suas zonas de intensidade, permitindo definir os limiares ventilatórios.

O teste nos permite definir as zonas de treino e também o gasto energético, com precisão de quilocaloria, em cada intensidade de esforço. São dados muito valiosos para atletas preocupados com o desempenho, que buscam uma alimentação consciente de acordo com o ritmo.

Emmanuel Lamarre

O teste também mede o «fat max» (a velocidade na qual o indivíduo oxida mais gordura), o lactato e a composição do suor, para que seja possível repor eletrólitos e recarregar os minerais perdidos durante a prática. «O corredor poderá saber quantos carboidratos consumir por hora, porque isso é específico de cada pessoa», resume o dirigente.

A Pyrene montou uma equipe de 22 atletas profissionais como embaixadores, especialmente no triatlo de longa distância, na corrida, no ciclismo e também no alpinismo e no mergulho livre.

A empresa também conta com cinco laboratórios de testes junto aos comandos navais, para aprofundar a pesquisa sobre o consumo de oxigênio, inclusive simulando condições de altitude. Envolvida com os «run clubs» comunitários, que se popularizam, a empresa se mantém próxima dos consumidores.

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Menos fronteiras entre corredores de elite e amadores

A corrida nunca foi tão popular na Europa. Os 60 mil finishers da Maratona de Paris 2026, recorde absoluto de participação da prova, são a prova disso. Com essa explosão, o nível sobe. Segundo o laboratório, o maratonista amador reduziu em oito minutos o tempo médio da prova nos últimos dez anos. Um ganho expressivo, que evidencia a profissionalização dos amadores. As longas distâncias estão cada vez mais acessíveis, e os fabricantes oferecem produtos de elite para todos. Saucony e Pyrene entenderam bem esse movimento e querem falar com uma nova geração de runners muito comprometida com a própria evolução.

As duas empresas traçaram vários paralelos entre as transformações do esporte e essas «revoluções silenciosas». Os anos 2000 foram marcados pela era minimalista, com tênis de solados cada vez mais finos. Naquele período, os atletas não se alimentavam durante o esforço ou recorriam a produtos de uma geração anterior, como o Gatorade nos Estados Unidos e o Isostar na França. O muro do quilômetro 30 era considerado inevitável. Os anos 2010, com os primeiros passos dos supertênis e as pesquisas sobre espumas e densidades, também foram a década do gel. «Ele se tornou o padrão da nutrição esportiva, mas com tecnologias bastante básicas de açúcares rápidos, que proporcionam aquele efeito de injeção de energia», relata o empreendedor.

A chegada da placa de carbono, em 2015, representou uma verdadeira virada. Ao mesmo tempo, a nutrição passou por uma ruptura importante. Emmanuel Lamarre explica que a capacidade fisiológica estava estabelecida em torno de 60 gramas de carboidratos por hora. «Sabíamos que a glicose, um açúcar rápido, era oxidada pelo intestino. Foi nesse período que a dupla oxidação ganhou destaque. Aprendemos que, ao incluir frutose, um açúcar complexo oxidado pelo fígado, e ao envolver vários órgãos, era possível elevar o consumo para 90 gramas de carboidratos por hora», afirma.

As duas inovações derrubaram muitos recordes na endurance, em todas as modalidades. Em 2019, o domínio dessas tecnologias ajudou, entre outras coisas, a aproximar a maratona da barreira das duas horas. A Covid, em 2020, provocou uma mudança cultural em torno do esporte, especialmente do running.

«Muitas pessoas incorporaram a atividade física à rotina desde então e passaram a se interessar por equipamentos e nutrição», destaca o especialista. Saucony e Pyrene, consideradas marcas premium, querem tornar essas tecnologias acessíveis a todos. As fronteiras entre elite e amadores se apagam, enquanto a engenharia evolui para melhorar a economia de corrida.

Um público mais experiente e atento à própria prática

Os corredores se interessam mais pela forma como treinam, pelos equipamentos e pelos dados. A vontade de entender e aprofundar conhecimentos está se consolidando. As empresas precisam ser capazes de explicar melhor suas inovações e vantagens. A Saucony considera, por exemplo, integrar sensores às entressolas. A Pyrene percebe essa necessidade de compreender e personalizar a prática, algo ainda mais complexo quando se trata de nutrição.

Precisamos ajudar os corredores a incorporar uma nutrição consciente e precisa, para evoluir e manter a saúde, sem consumir menos nem mais do que o necessário. Hoje, gostamos de saber o que acontece dentro do nosso corpo, e o público procura dados e todo tipo de teste

Emmanuel Lamarre

Endorphin Pro 5: apresentação do mais recente tênis de performance da Saucony

© Emma Bert / MARATHONS.COM

A marca apresentou os quatro modelos da linha Endorphin, além dos lançamentos mais recentes, como o Pro 5, revelado em março. A nova versão, que passou por uma reformulação na densidade da espuma, recebeu uma nova placa de carbono. Voltado para as distâncias da meia maratona e da maratona, o modelo é mais responsivo. A base do calcanhar mais larga, característica dos modelos de competição, garante estabilidade e desempenho.

Foi também uma oportunidade para falar sobre o recente lançamento do daily trainer Endorphin Azura. Ele utiliza a mesma espuma de alguns modelos de competição com placa, mas sem carbono. Segundo os representantes da marca, isso o torna muito mais acessível e tolerante. Primeira porta de entrada para a competição, o modelo dinâmico se destaca pela versatilidade. Vendido por 160 €, posiciona-se em uma faixa de preço semelhante à dos tênis voltados para o conforto.

Sem esquecer o Endorphin Elite 2, modelo topo de linha, que tem uma placa de carbono inspirada na do Pro 5. Espuma, placa e geometria agressiva: o grupo otimizou esses três elementos-chave para maximizar o desempenho em alta velocidade. Revelada há um ano, a principal evolução está no uso de uma espuma de PEBA, reconhecida pela leveza e pelo excelente retorno de energia.

Segundo a Saucony, essa formulação chegaria a devolver até 97% da energia, um dos índices mais altos do mercado. «Apenas quatro ou cinco modelos entre todas as marcas usam essa espuma relativamente rara», explica um técnico da Saucony. Sua durabilidade, porém, é mais limitada, embora permita, segundo a marca, melhorar a economia de corrida e aumentar a eficiência.

A mais antiga marca de running surgida no atletismo uniu-se à jovem empresa francesa Pyrene em torno de uma visão comum: democratizar o acesso às inovações e melhorar o desempenho dos corredores, da elite aos amadores.

Conheça o site oficial da Pyrene