Corre com o teu velho: o run club que aproxima gerações
Médica e criadora de conteúdos conhecida nas redes sociais como @doc_edennn, Eden Yaïche lançou um conceito inédito: um run club intergeracional que reúne cerca de cinquenta corredores em dupla com o seu «velho», numa referência ao pai, o seu parceiro de corrida mais fiel. Fomos conhecer o projeto «Corre com o teu velho».
Um run club intergeracional. Foi este o projeto imaginado por Eden e pelo seu «velho» há um ano. A 15 de março, a primeira edição de «Corre com o teu velho» nasceu no coração de Paris. Desde o início, o conceito distinguiu-se dos encontros de corrida tradicionais. A ideia era juntar imediatamente corredores de todas as idades, sem limite. «Queríamos mostrar que o desporto não é uma questão de idade, que aproxima as pessoas, cria memórias e reforça os laços entre gerações», conta Eden, médica e criadora de conteúdos nas redes sociais. Levadas pela energia contagiante da jovem, as duas primeiras edições fizeram nascer uma verdadeira sintonia entre os participantes.
De pai para filha
Na família, há o pai. Aquele que a filha observa desde muito cedo com os olhos bem abertos. Aos 5 anos, durante uma viagem à Tailândia, vê-o socorrer as vítimas do tsunami que atingiu o país em 2005. Nesse instante, uma certeza impõe-se: será médica. «Fiz Medicina graças a ele ou por causa dele», sorri, hoje já formada e a exercer.
Alguns anos mais tarde, abre uma conta no TikTok cujo princípio é simples: «Encontre o diagnóstico em 60 segundos». Rapidamente, ela e o pai, Mickael, entram no jogo, desafiam-se constantemente e multiplicam os vídeos sobre saúde. A boa disposição e o sentido de humor dos dois conquistam depressa uma vasta comunidade.
Os projetos sucedem-se. Embora a nutrição continue a ser a sua área de eleição, Eden começa a ligá-la progressivamente a outra paixão: a corrida. Um amor pelo desporto transmitido pelo pai desde os 12 anos, quando participa na sua primeira corrida de 10 km. « Depois de abrir o consultório, o meu pai ganhou muito peso. Depois, de um dia para o outro, pensou: «Chega, basta, vou voltar a tratar de mim.» Perdeu 35 a 40 quilos e começou a praticar desporto a sério. Agora já tem mais de 25 maratonas e vários Ironman. É uma máquina. Vejo-o fazer isto desde que sou muito pequena », recorda.
Desde então, os quilómetros percorridos em conjunto acumulam-se, tal como as memórias. Eden partilha-os regularmente nas redes sociais, até dar vida ao «Corre com o teu velho». Uma resposta às mensagens de muitos membros da sua comunidade, que também queriam correr com um pai, uma mãe, um tio, uma tia ou um irmão mais velho.
Mais uma vez, o projeto inspira-se diretamente no pai. «Sempre vi o meu pai pôr pessoas a correr. É o passatempo dele», recorda. «Ainda nem eu tinha nascido e ele já fazia isso. Ao crescer, pensei que também queria transmitir essa vontade. Dá uma adrenalina enorme. Faz as pessoas felizes. Até para a saúde mental, acho incrível.» Sobretudo quando estão em causa iniciantes que se lançam na corrida puxados pelo parceiro ou motivados pelo espírito de comunidade. «É mesmo gratificante pensar que conseguimos pôr a mexer pessoas que, normalmente, num domingo de manhã, teriam ficado na cama em frente à televisão.»
Formou-se ali uma dupla de um velho e de um jovem! »
Já houve duas edições intergeracionais
Com este encontro desportivo de conceito inédito, relações virtuais tornaram-se reais. Os participantes podem finalmente viver uma experiência em conjunto. Sem tempo para se verem, sem energia para sair, o evento proposto por Eden já não deixa espaço para desculpas. Acabaram-se as categorias: os jovens de um lado, os mais velhos do outro. Os pais recentes também são bem-vindos com os carrinhos de bebé. Correr torna-se um pretexto para o encontro. Alguns participantes da primeira edição regressaram à segunda, para reforçar os laços.
«Uma senhora de 72 anos, que sempre praticou desporto, veio porque a neta, na casa dos 20 anos, me seguia nas redes sociais e lhe falou do evento. A avó disse-lhe: «Vamos pôr-te a fazer desporto, anda daí!»» Um belo exemplo de transmissão entre gerações. Entre as duplas, surgem conversas. Ouve-se muitas vezes: «Quem são vocês um para o outro?» Depois, cada um conta a sua história. «Uma mãe maratonista levou o filho de 16 anos, que começou agora a correr. Foi bonito de ver.» É raro, mas alguns aparecem até sozinhos. «O mais incrível é que se formou uma dupla de um velho e de um jovem. Encontraram-se ali, correram juntos durante todo o percurso e até trocaram números de telefone no fim.»
Não há uma regra fixa entre as diferentes edições: a primeira propunha 6 km, enquanto a segunda oferecia um percurso ajustável entre 4 e 8 km, conforme a vontade de cada participante. «Um jovem de cerca de 17 anos, habituado ao ginásio, participou com a mãe para que ela começasse a correr. Ela conseguiu fazer 4 km de seguida!» No Bois de Boulogne, o grupo percorre voltas de 2 km, com cada participante a parar quando bem entende. «Foi ideia do velho», conta, antes de acrescentar: «É ele que se chama assim, adora!»
Uma ideia genial que permite aos iniciantes incentivarem os mais motivados até ao fim, sempre num ambiente de loucura, com um megafone cor-de-rosa na mão e a coluna no volume máximo. Uma forma de incluir toda a gente até ao convívio final, entre a distribuição de tote bags personalizados, brindes e conversas descontraídas enquanto se repõem líquidos.
Numa sociedade em que por vezes há cada vez menos tempo para partilhar momentos, correr lado a lado torna-se uma oportunidade para voltar a estar juntos. Resta acompanhar atentamente as publicações da doutora Eden (@doc_edennn no Instagram), porque o próximo encontro deverá acontecer no fim do verão, já no regresso às aulas. As vagas são disputadas: em poucos dias, já não havia nenhuma. Por isso, fique atento. Talvez assim evite começar o ano com o nariz enfiado nas meias, mas com um sorriso nos lábios!
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