A ascensão das maratonas em África: Lagos, Kigali, Accra… os novos grandes eventos do continente
© Kayode Olopa

A ascensão das maratonas em África: Lagos, Kigali, Accra… os novos grandes eventos do continente

SL
Por Sabine Loeb

Publicado em qua., 9 de setembro de 2026

Atualizado em qua., 9 de setembro de 2026

As maratonas em África atraem cada vez mais participantes. Visitantes estrangeiros e corredores locais partilham a mesma sede de quilómetros, em cenários que combinam mar, montanha e cidade.

Conheça algumas das maratonas mais famosas de África e fique a par da análise deste fenómeno.

Access Bank Lagos City Marathon, na Nigéria

Com o selo Bronze, a Maratona de Lagos tornou-se uma referência desde 2016, ano em que a IAAF (hoje World Athletics) lhe atribuiu uma certificação, permitindo-lhe ganhar reconhecimento internacional. Criada pela Federação Nigeriana de Atletismo e organizada todos os anos em fevereiro, é a primeira maratona internacional do país. No início de 2025, mais de 25 000 corredores alinharam à partida, um recorde de participação. Entre eles estavam 4 000 atletas internacionais que vieram celebrar a 10.ª edição da prova. O percurso, que atravessa o coração do Golfo da Guiné, desperta um enorme entusiasmo entre os corredores estrangeiros. Para além do desafio desportivo, a maratona distingue-se por uma atmosfera festiva única, com concertos, fervor popular e uma celebração da corrida pouco comum noutros lugares.

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Kigali Peace Marathon, no Ruanda

A Maratona da Paz recebeu o nome do genocídio de 1994 e representa a vontade do país de promover a paz, o bem-estar e a reconciliação através do desporto. Há 20 anos, este evento emblemático realiza-se todos os anos no início de junho, com o objetivo de celebrar a união e a fraternidade. Organizado pela Federação Ruandesa de Atletismo e pelo Ministério do Desporto, reúne até 10 000 corredores, muitos deles turistas internacionais que aproveitam uma das três provas disponíveis para descobrir Kigali (maratona, meia maratona e 10 km), além da sua atmosfera única. Participar significa viver uma experiência desportiva marcante, mas também contribuir para a economia local e para a atratividade da capital ruandesa.

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Accra Marathon, no Gana

«Accra» é a palavra que um visitante ouve de um habitante local quando chega ao país. Venha da Europa, da América, da Ásia ou de qualquer outro lugar, toda a gente é bem-vinda entre os ganeses. Realizada geralmente no último domingo de outubro, esta grande manifestação desportiva reúne cerca de 1 000 participantes nas distâncias de maratona, 10 km e 5 km. Participar é a melhor forma de descobrir a costa ganesa e as paisagens urbanas de Accra. É também uma oportunidade para juntar a população e sensibilizá-la para a importância de um estilo de vida saudável e ativo.

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Standard Chartered Nairobi Marathon, no Quénia

Depois de dois anos afastada do Nyayo Stadium, a maratona de Nairobi regressa em força a este local emblemático, para alegria dos apaixonados pela corrida, sejam amadores ou experientes, com ou sem deficiência. Aberto a todos, o evento terá seis provas, incluindo uma meia maratona em cadeira de rodas e uma corrida de 5 km chamada Family Fun Run, para receber os 25 000 participantes esperados. A próxima edição realiza-se a 26 de outubro deste ano, com uma nova iniciativa solidária, Futurmakers, destinada a apoiar jovens desfavorecidos, em particular mulheres e pessoas com deficiência.

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Sanlam Cape Town Marathon, na África do Sul

Entre a montanha e o oceano, a Maratona da Cidade do Cabo, detentora do selo Ouro, faz sonhar por muitos motivos. Prestes a tornar-se a primeira maratona africana a integrar os Abbott World Marathon Majors (o circuito das maiores maratonas do mundo), o evento oferece uma riqueza humana, visual e desportiva excecional. Para mergulhar numa atmosfera descontraída e acolhedora, sorrir apesar da dor e viver emoções únicas, ainda é possível fazer parte dos 24 000 corredores da edição de 2025. O dia 19 de outubro merece ser assinalado no calendário, seja para correr a maratona, os 10 km ou 5 km, seja para enfrentar os 11 km, 22 km ou 43 km de trail.

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As maratonas em África atraem cada vez mais participantes. Visitantes estrangeiros e corredores locais partilham a mesma sede de quilómetros, em cenários que combinam mar, montanha e cidade.© Kayode Olopa

Maratonas que não param de atrair multidões

Entre as maratonas mencionadas, todas, sem exceção, viram ou ambicionam ver o número de inscrições crescer ao longo dos anos. Recentemente, os recordes de participação têm caído uns atrás dos outros, para satisfação dos organizadores, embora a gestão dos eventos se torne mais complexa. Em 2021, a Maratona da Cidade do Cabo recebeu 6 000 finishers. Para a edição de 2025, os cinco parceiros de diferentes áreas, Sanlam, a Câmara da Cidade do Cabo, a federação regional de atletismo (Western Province Athletics, WPA), Asem Running e Infront, preveem quadruplicar esse número. Assim, são esperados 24 000 corredores na partida das diferentes provas, marcadas para sábado, 18, e domingo, 19 de outubro.

Porquê este sucesso?

Há vários motivos que explicam o apelo destas maratonas.

● Um dos principais argumentos que levam europeus ou australianos a apanhar um avião para correr esta distância é o percurso. Muito longe das habituais corridas na cidade ou nas estradas rurais, o percurso destas maratonas é uma verdadeira epopeia entre o céu e a terra. A Table Mountain, imponente sobre a Cidade do Cabo, faz parte das Sete Novas Maravilhas Naturais do Mundo e oferece uma vista de cortar a respiração. Outras maratonas propõem uma imersão direta nas cidades, como a Accra Marathon, que atravessa bairros históricos entre edifícios coloniais e comércio movimentado. Mas não fica por aí: a prova também permite correr junto ao Golfo da Guiné, com o ar fresco do oceano a tocar a nuca ao longo de alguns quilómetros.

● Um dos fatores decisivos deste entusiasmo está na oportunidade única de viajar e combinar a descoberta de um destino com uma experiência desportiva. Até os atletas que vão em busca de resultados podem aproveitar para desligar depois de percorrerem os 42,195 km da maratona. Lagos, famosa pelo cinema, é conhecida como o «Centro da Excelência». A cidade merece uma visita, não só por causa de Nollywood, mas também pela vida noturna vibrante, pelo artesanato local (tecidos, contas e joias) e pelas praias magníficas. Para facilitar a chegada dos turistas e promover o turismo, a Access Bank Lagos City Marathon trabalha com agências de viagens locais que ajudam os visitantes a organizar alojamento, transferes e visitas turísticas. O Ruanda, onde se realiza a Kigali Peace Marathon, também não fica atrás, com as suas colinas, cristas e vales, sem esquecer o lago Kivu, os vulcões e os parques nacionais, que oferecem paisagens de cortar a respiração.

O clima, a que os corredores estrangeiros não estão habituados, também pode despertar curiosidade. Adaptar o corpo a uma nova atmosfera, árida ou húmida consoante o destino, é um desafio adicional. Mas que atleta experiente não procura superar-se, desafiar os próprios limites e sentir novas sensações num ambiente diferente? Já quem privilegia o descanso e o prazer geralmente não se deixa incomodar demasiado, em termos desportivos, pelo jet lag ou pelas condições climáticas dos países escolhidos. Para evitar que os corredores sofram com as temperaturas elevadas durante a prova, algumas maratonas, como a Lagos City Marathon, onde as temperaturas variam entre 22 e 33 graus em fevereiro e a humidade se mantém elevada mesmo na estação seca, dão a partida muito cedo, por volta das 6h30.

As iniciativas ambientais e sociais talvez sejam a última peça do puzzle. Também atraem os habitantes locais que, para além de correrem na sua cidade, veem nestes eventos uma oportunidade de apoiar causas que lhes são importantes. Os organizadores da Sanlam Cape Town Marathon e da Standard Chartered Nairobi Marathon procuram reduzir ao máximo o impacto ambiental das provas: a primeira criou um programa para reduzir ou reutilizar resíduos, enquanto a segunda eliminou todos os plásticos descartáveis do evento. Já a Access Bank Lagos City Marathon aposta sobretudo na vertente social, com sessões de informação e testes gratuitos para os participantes, contribuindo para a sensibilização em torno do VIH/SIDA.

● Além disso, os corredores que viajam sozinhos cruzam-se muitas vezes com conhecidos à beira da estrada ou no meio do pelotão. Quem não tem contactos no destino facilmente trava conversa com outros apaixonados pela corrida. As maratonas são, portanto, pontes para a convivência social e criam ligações humanas que talvez não surgissem de outra forma.

A ascensão das maratonas em África: Lagos, Kigali, Accra… os novos grandes eventos do continente© Harry Daemen

Como escolher entre tantas maratonas?

Dependendo do que procura o maratonista, ou quem se prepara para se tornar um, critérios pessoais e práticos podem orientar a escolha. Para encontrar a experiência mais adequada, é preciso definir prioridades. Se o objetivo é o desempenho, convém optar por um percurso plano e um clima favorável. Para quem quer viver uma experiência no estrangeiro, vale a pena pesquisar as paisagens e a cultura de cada lugar, de modo a escolher o destino mais apelativo. Para uma experiência simples e uma logística sem sobressaltos, deve privilegiar-se o destino mais fácil de alcançar. Outros critérios, como a notoriedade do evento, o compromisso associado à prova ou a vida noturna das cidades anfitriãs, também podem pesar na decisão. E se, ainda assim, a escolha continuar difícil, a vida é suficientemente longa para experimentar todas um dia!


A crescente reputação das maratonas africanas não aconteceu por acaso. Explica-se tanto pelo desenvolvimento mundial da corrida como pelo apelo singular da viagem, que combina aventura desportiva com uma experiência humana excecional. Para um habitante local, participar numa destas maratonas significa correr em comunidade, redescobrir a própria cidade com outros olhos e aceitar o desafio dos 42,195 km no coração do lugar onde vive. São razões mais do que suficientes para embarcar nesta aventura.

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