Patrick Downes: de sobrevivente a finisher da Maratona de Boston
Há feitos desportivos que vão muito além dos números e do cronómetro. Em 2013, a vida de Patrick Downes e da sua mulher, Jessica Kensky, sofreu uma reviravolta dramática. O casal está entre as vítimas das explosões na Maratona de Boston, que provocaram 3 mortos e 264 feridos. Gravemente atingidos nas pernas, os dois apaixonados pela corrida tiveram de ser amputados. Alguns anos mais tarde, com uma prótese, Patrick tornou-se finisher da Maratona de Boston. Esta é a história comovente e inspiradora deste casal de sobreviventes.
Duplo atentado na Maratona de Boston de 2013
A 15 de abril de 2013, mais de 20 000 participantes deram início à 117.ª edição da Maratona de Boston. Ao longo de 42,195 km, os corredores percorrem as ruas de Boston, no estado norte-americano do Massachusetts. Célebre e prestigiada, a Maratona de Boston é a mais antiga maratona anual do mundo. Faz parte dos World Marathon Majors e reúne todos os anos cerca de 500 000 espectadores ao longo do percurso. A meta da prova situa-se na Boylston Street, uma das principais artérias da cidade. A 15 de abril de 2013, por volta das 14h50, a rua tornou-se palco de um duplo atentado.
Enquanto os vencedores do dia tinham cortado a meta há mais de duas horas, os últimos corredores terminavam o seu esforço. Uma primeira bomba explodiu perto da zona de chegada, no bairro de Back Bay. A explosão ocorreu do lado esquerdo dos corredores e atingiu sobretudo as centenas de espectadores que tinham ido apoiar os participantes. Cerca de dez segundos depois, uma segunda bomba explodiu a poucos metros da primeira. Desta vez, alguns corredores foram atingidos. O balanço deste duplo atentado à bomba, cometido por dois irmãos de origem chechena, foi de 3 mortos e 264 feridos.
Patrick Downes e Jessica Kensky, sobreviventes do atentado
Na meta da 117.ª edição da Maratona de Boston, Patrick Downes e Jessica Kensky, dois norte-americanos, admiram e incentivam os últimos atletas a chegar. Tal como os restantes 500 000 espectadores, foram assistir à festa da prova emblemática do Massachusetts. Nesse dia, o casal apaixonado pela corrida encontrava-se no lugar errado à hora errada.
Quando as duas bombas explodiram, Patrick e a mulher estavam a apenas alguns metros do local. Foram vítimas do atentado de Boston e ficaram gravemente feridos. Ambos sofreram lesões nas pernas. Patrick foi operado e amputado a uma perna. A mulher, por sua vez, teve de ser submetida a duas intervenções e perdeu o uso dos dois membros inferiores.
O feito de Patrick Downes, três anos mais tarde
Depois de vários meses de reabilitação e aprendizagem, Patrick Downes decidiu participar na Maratona de Boston em 2016. Três anos depois do acontecimento dramático, sentia-se preparado para reencontrar a corrida à sua maneira. Com uma prótese de perna, o atleta, então na casa dos trinta, alinhou à partida da 120.ª edição. Impulsionado e apoiado por centenas de milhares de espectadores, Patrick Downes foi somando quilómetros. Levava ao atacador uma medalha com a fotografia da mulher. Um verdadeiro estímulo para os quilómetros finais. Ao fim de 5h56 de esforço, o norte-americano cortou a meta com a prótese erguida acima da cabeça, recebido como um herói por toda a cidade. Como um símbolo, passou sob o arco à mesma hora da primeira explosão de 2013 e tornou-se assim o primeiro amputado do atentado de Boston a completar a totalidade da maratona a pé. A emoção foi intensa quando a mulher, Jessica, se juntou a ele na meta, em cadeira de rodas.
Esta história comovente recorda-nos que a resiliência e a coragem podem transformar as provações mais sombrias em verdadeiros feitos humanos.
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