Marathon de Paris 2025: Julien Casoli vence pela 6ª vez

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Por Clément Laborieux

Publicado em qua., 9 de setembro de 2026

Atualizado em qua., 9 de setembro de 2026

Marathon de Paris 2025: Julien Casoli vence pela 6ª vez
© ASO / Victor Barcus

Julien Casoli conquista pela sexta vez o prestigiado Marathon de Paris. Neste domingo, 13 de abril, o paratleta de Vesoul triunfou em 1h33min03s, depois de um sprint de tirar o fôlego. Uma atuação histórica num percurso exigente, diante de Thibaut Daurat, de 24 anos, uma das promessas da nova geração. Uma vitória de sabor único, entre a realização pessoal e o duelo simbólico entre a experiência e o futuro da modalidade.

O alívio depois da frustração de 2024

2024 deveria ter sido um ano histórico para Julien Casoli, com os Jogos Paralímpicos de Paris como ponto alto. Depois de terminar em segundo no Marathon de Paris 2024, o sonho de disputar os Jogos em casa desapareceu por causa de uma lesão no pulso. Afastado das competições, o atleta de Haute-Saône viu a temporada terminar de forma abrupta, deixando para trás uma enorme decepção.

Um ano depois, foi nos paralelepípedos de Paris que ele veio buscar a desforra.

«Talvez seja a minha vitória mais bonita. Porque chega depois de um ano complicado. Porque era incerta. E porque eu nem sequer achava que poderia correr esta maratona», confidenciou, emocionado, na linha de chegada.

Julien Casoli

O sexto título em Paris, num percurso difícil

Julien Casoli conhece bem esta maratona: já venceu cinco vezes. Mas esta sexta vitória tem um sabor muito especial. Não se sentia em grande forma à partida, tinha dúvidas, mas soube gerir a prova na perfeição, mesmo com dores.

«Em alguns momentos, estive perto de quebrar. Mas, no geral, acho que geri bem o meu esforço. Foi um dia bom. Estou feliz por ter vencido, porque, honestamente, nunca teria apostado em mim hoje.»

Num percurso tão exigente como sempre, Julien entregou uma atuação sólida e contou com o apoio do público.

«É uma das maratonas mais difíceis. O percurso é duro. Há muitos paralelepípedos e tivemos um pouco de vento contrário nas margens do rio esta manhã. Não é nada de extraordinário, mas é algo que temos de levar em conta. O apoio da multidão permite ir além dos próprios limites.»

Um duelo intenso com Thibault Daurat

© ASO / Victor Barcus

A prova poderia ter mudado de rumo nos últimos 500 metros. Afinal, tudo foi decidido ao sprint. Os dois atletas percorreram as ruas da capital lado a lado, e foi na última curva que a potência do mais experiente fez a diferença.

«Parecia uma etapa do Tour de France», sorriu Julien Casoli, consciente da tensão dos metros finais. «Dei tudo o que tinha, achei que ia vencê-lo», admitiu Thibaut Daurat, apenas um segundo atrás, com 1h33min04s.

O duelo foi intenso e simbólico: a experiência contra a impetuosidade, o campeão consagrado diante da nova geração.

«O Thibaut é o futuro do atletismo paralímpico em França», afirmou Casoli. «Sinceramente, achei que ele me venceria hoje. Mas esta foi apenas a sua primeira maratona, ainda tem uma grande margem para evoluir.»

Para Thibault, esta primeira experiência numa maratona foi um grande sucesso.

«Foi uma prova muito bonita. Na minha primeira maratona, tinha poucas referências e o meu contador caiu no início da prova por causa das vibrações dos paralelepípedos. Então corri pelas sensações. Com o Julien, fomos alternando a liderança e tudo se decidiu no sprint final. Só levo coisas positivas desta primeira maratona.»

O atleta de Gers tem grandes ambições para o futuro.

« O objetivo é qualificar-me para os Campeonatos do Mundo, na Índia, e continuar a participar em competições locais. Depois, também gostaria de correr grandes maratonas como Boston, onde o nível é muito elevado. Quero fazer grandes tempos e continuar a evoluir.»

Julien Casoli

Uma vitória de despedida para Julien Casoli?

© ASO / Victor Barcus

Aos 42 anos, Julien Casoli sabe que cada prova conta. Por isso, esta sexta vitória em solo parisiense pode muito bem marcar uma viragem.

«Talvez esta tenha sido a minha última participação no Marathon de Paris. Nunca sabemos o que o ano seguinte nos reserva. Mas, se foi mesmo a última... fico feliz por tê-la terminado assim.»

A história é bonita, a emoção é genuína. E, se foi uma passagem de testemunho, aconteceu no mais belo dos cenários, com respeito e competição pura.


A edição de 2025 do Marathon de Paris foi palco de um momento marcante da história do atletismo paralímpico. Julien Casoli, lenda do paratletismo francês em cadeira de rodas, voltou a provar a dimensão do seu talento ao conquistar a sexta vitória no asfalto parisiense, num sprint final tão emocionante quanto heroico. Num percurso exigente, soube recorrer à experiência e à resiliência para superar o talento do futuro. Por trás desta atuação há um símbolo: o de um campeão que continua a deixar a sua marca na modalidade. E, se Thibaut Daurat já representa o futuro, neste domingo foi a grandeza de Julien Casoli que iluminou Paris.