Por que cada vez mais corredores continuam usando seus tênis de corrida antigos?
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Por que cada vez mais corredores continuam usando seus tênis de corrida antigos?

Dorian Vuillet
Por Dorian Vuillet

Publicado em qui., 10 de setembro de 2026

Atualizado em qui., 10 de setembro de 2026

Em uma época de tênis cada vez mais caros, altos e tecnológicos, muitos corredores estão fazendo uma escolha discreta: continuar correndo com seus pares antigos. Não por hábito, muito menos por descuido, mas pelas sensações, pela confiança e por uma certa ideia de corrida, mais simples e controlada.

Domingo de manhã, linha de largada do 10 km des Champs-Élysées. Ao redor, tênis de última geração, entressolas espessas, logotipos bem visíveis. E então, no meio do pelotão, um corredor ajusta tranquilamente um par cujo mesh amarelou e cuja sola já mostra o peso dos quilômetros. Um vizinho se surpreende, entre divertido e incrédulo: « Eles já parecem ter vivido bastante ». A resposta vem tranquila, quase óbvia: « Sim, mas eu sei exatamente como vão se comportar. » 

O tiro de largada ecoa. Os tênis novos ainda brilham. Os antigos, esses, fazem o trabalho. Em um mundo da corrida obcecado pela novidade, pela espuma revolucionária e pela placa de carbono de última geração, um movimento discreto, mas real, ganha força. Nas calçadas, nas pistas e nos caminhos de terra batida, cada vez mais corredores continuam calçando… seus tênis antigos. Não por descuido. Por escolha. Eles permanecem fiéis, muitas vezes preferidos aos modelos novinhos alinhados nas prateleiras. Por trás desse retorno assumido ao que é antigo, cruzam-se vários motivos: sensações, confiança, rejeição a um certo excesso de tecnologia e, às vezes, vontade de diminuir o ritmo.

A memória do pé antes da promessa do marketing

Um tênis desgastado conta uma história. A história do pé que o moldou ao longo dos treinos. O material se adaptou, a passada encontrou seu equilíbrio. O contato com o chão se tornou previsível, quase reconfortante. « Com meus tênis antigos, sei exatamente o que vai acontecer a cada passada. Nada de surpresa, nada de efeito trampolim. Apenas uma resposta precisa », explica Julien, corredor regular há mais de dez anos e adepto de treinos longos sem relógio esportivo. Essa sensação aparece com frequência nas conversas entre corredores. Um tênis novo promete muito, às vezes até demais. Espuma espessa, rocker acentuado, resposta mais agressiva… são elementos que podem seduzir no papel, mas atrapalhar uma mecânica já bem ajustada. O par antigo, por sua vez, não promete nada. Apenas acompanha.

A corrida moderna adora inovar. E o progresso trouxe ganhos claramente mensuráveis, especialmente em competição. Mas, nos treinos, alguns corredores sentem uma espécie de saturação. « Às vezes parece que o tênis decide por você, conta Claire, maratonista amadora que optou por modelos mais simples nos treinos leves. A aterrissagem, a transição, a propulsão… tudo é guiado. Com meus pares antigos, volto a ser protagonista da minha passada ». Por trás desse discurso, há uma crítica suave, mas persistente: tecnologia demais mata a sensação. Manter os tênis antigos se torna, então, uma forma de voltar ao essencial. Correr sem filtro, sem assistência constante. Recuperar uma espécie de sobriedade mecânica.

Meus tênis já passaram dos 800 quilômetros, mas, para treinos tranquilos, ainda dão conta do recado

Claire, maratonista amadora

Trocar de tênis, mesmo por um modelo consagrado, exige um período de adaptação. Alguns enxergam nisso um risco desnecessário. O par antigo tranquiliza, sobretudo nas fases mais puxadas. « Quando o cansaço chega, prefiro correr com algo que conheço de cor. Mentalmente, isso elimina uma variável », resume Julien.  Essa confiança desempenha um papel subestimado. Um tênis conhecido reduz as dúvidas: não é preciso ficar monitorando uma dor que começa nem interpretar uma sensação fora do comum. A mente permanece focada no ritmo, na respiração e no prazer de correr.

O preço, um assunto menos glamouroso, mas muito real

Os preços dos tênis de corrida subiram. E muito. Passar dos 200 euros já não tem nada de excepcional. O resultado é que os corredores passaram a otimizar o uso do equipamento. Muitos mantêm os pares antigos para treinos leves, corridas de recuperação e sessões sem objetivo de tempo. Uma rotação pensada, mais econômica e mais durável. « Meus tênis já passaram dos 800 quilômetros, mas, para treinos tranquilos, ainda dão conta do recado », explica Claire. Essa abordagem pragmática faz parte de uma lógica mais ampla: consumir menos, mas melhor. A corrida não escapa dessa reflexão.

Há também uma dimensão quase afetiva. Um par antigo carrega lembranças. A primeira meia maratona, uma preparação difícil, um treino bem-sucedido sob a chuva. Jogá-lo fora cedo demais às vezes dá a sensação de virar uma página antes de terminar de escrevê-la. Alguns corredores chegam a falar em relação. « Sei que parece estranho, mas esses tênis fazem parte da minha trajetória », diz Julien, sorrindo. Sem cair em uma nostalgia cega, manter os tênis antigos se torna um ato consciente. Uma maneira de desacelerar em um esporte frequentemente levado pela corrida atrás da novidade.

É preciso, porém, não idealizar o desgaste. Um tênis cansado demais perde sua função protetora. Entressola comprimida, desequilíbrio visível, dores incomuns: são sinais que devem ser levados a sério. Os especialistas concordam em um ponto: ainda é possível prolongar a vida útil de um par, mas não a qualquer custo. Adaptar o uso, escutar o corpo e manter o bom senso.

Confira o calendário de maratonas

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