«Ela entende tudo»: Pascal e a filha Romane, que tem deficiência, vão disputar o Mundial de Ironman 70.3

RC
Por Renaud Chevalier

Publicado em qui., 10 de setembro de 2026

Atualizado em qui., 10 de setembro de 2026

«Ela entende tudo»: Pascal e a filha Romane, que tem deficiência, vão disputar o Mundial de Ironman 70.3
© Pascal Baron

Desde que nasceu, Romane vive com uma malformação cerebral. No início de novembro, Pascal vai encarar o desafio de disputar com a filha o Mundial de Ironman 70.3, em Marbella, na Espanha. Desde 2023, quando criou a própria associação, o morador de Corzé, no Maine-et-Loire, também permite que pessoas com deficiência experimentem a corrida graças ao empréstimo gratuito de cadeiras adaptadas. Em troca, pede apenas uma foto com um sorriso. Um exemplo de humildade e resiliência.

E por que não eu? Essa frase certamente ecoou na cabeça de Pascal Baron quando ele viu dois irmãos, um com deficiência e outro sem, participando de um Ironman 70.3 em Portugal, em 2019. Depois, assistiu a De Toutes nos forces, filme que conta a história de um pai e do filho com deficiência que disputam o Ironman de Nice. A ideia nasceu, e os sacrifícios vieram em sequência. «Tive de vender uma moto para comprar uma cadeira», recorda. Depois de seguir à risca um plano de treino, a dupla disputou a primeira prova em 2020, no Ironman 70.3 Tours’n Man. Romane, 25 anos e 45 kg de pura alegria, vive atualmente numa residência medicalizada em Sablé, no Maine-et-Loire. Ela abre um sorriso enorme, apesar de não falar e de ter pouca motricidade fina. A jovem das lentes brilhantes tornou-se então «a rainha da Inglaterra», segundo o pai.

«São momentos extraordinários. Ela entende tudo. Sabe exatamente o que está acontecendo.» Com várias meias-maratonas no currículo e tempos entre 1h50 e 2h20, a família está em plena preparação para o Campeonato Mundial de Ironman 70.3, no início de novembro, em Marbella, na Espanha. Com seis treinos por semana, o consultor de supply chain simula o peso da filha usando 50 kg de cascalho nas sessões de bicicleta e corrida. «Toda a gente me reconhece na minha cidade», conta, sorrindo. Na prática, Romane usa uma cadeira adaptada nas provas de corrida, vai sentada à frente no tandem, onde também pode pedalar, e é rebocada num barco insuflável. «Quando a inclinação aumenta na bicicleta, tenho de exigir mais dos quadríceps», explica. «É a disciplina mais difícil das três.»

O projeto cresce. Homem de coração enorme, Pascal quer partilhar a paixão pelo desporto. Em dezembro de 2023, o bem-humorado atleta criou a Team I-Romane. «Temos duas cadeiras disponíveis, no valor de 4.000 euros cada. Nós emprestamo-las. Foram usadas, por exemplo, na meia maratona do Loire. A única coisa que peço em troca é uma foto com um sorriso.» A equipa também esteve na Grammoirienne, prova disputada a 2,5 km de casa, nos arredores de Angers. Ao lado de Romane, estava uma parceira de luxo para empurrar a cadeira: Catherine Thomas-Pesqueux, uma referência do asfalto na região do Loire e detentora do recorde francês dos 5 km na categoria Master 3. Uma parceria que ainda vai longe. «Ela vai disputar os 5 km de corrida do triatlo S de Villevêque com a Romane. Sempre vivi as chegadas ao lado da minha filha. Vai ser difícil deixá-la escapar (risos). Desta vez, terei um olhar externo.»

«Estamos a tocar numa solidariedade que nasce do desporto. Da benevolência.» Com cinco maratonas concluídas, Pascal, na casa dos cinquenta, não se imagina a disputar em dupla grandes eventos como a Maratona de Paris. «É muito difícil gerir duas pessoas. É uma prova complicada.» Aplaudidas ao longo de todo o percurso, as pessoas que não conseguem caminhar encontram uma válvula de escape para um quotidiano por vezes penoso. O sonho que guarda é alinhar cinco cadeiras na próxima edição da Grammoirienne. Pioneiros em França, Pascal Baron e a filha Romane podem continuar a escrever a história…

Ele próprio reconhece. Sem a filha, Pascal não praticaria tanto desporto. Da primeira prova, em 2020, ao Campeonato Mundial, em novembro, a dupla continua a inspirar e a superar-se. Ser feliz através do esforço físico: é essa a filosofia de vida adotada por esta família luminosa. A deficiência não é um obstáculo. É uma força.