Hilde Dosogne: 366 maratonas em 366 dias, um feito fora de série

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Por Linford Dirou

Publicado em qua., 9 de setembro de 2026

Atualizado em qua., 9 de setembro de 2026

Hilde Dosogne: 366 maratonas em 366 dias, um feito fora de série

Aos 55 anos, Hilde Dosogne está em plena forma e acaba de o provar novamente com um feito desportivo fora de série. A 31 de dezembro de 2024, esta ultra-trailista belga concluiu o seu ciclo de 42,195 km diários ao completar a 366.ª maratona. Em entrevista à Marathons.com, fala-nos deste desafio que deixa as pernas a doer.

Como se sente depois de ter conseguido correr uma maratona por dia durante um ano?

É uma mistura de emoções: orgulho, alívio e um profundo sentimento de realização. Correr uma maratona todos os dias durante um ano não foi apenas uma questão de resistência física, foi também uma viagem mental e emocional. Saber que ultrapassei os meus limites e consegui fazer aquilo que antes parecia impossível é incrivelmente gratificante.


Qual foi a parte mais difícil?

Houve muitos momentos difíceis, mas um dos mais duros foi o dia 11 de setembro, quando desloquei um dedo depois de 27 km e tive de ir ao hospital, para depois voltar e terminar a minha maratona. O mau tempo, o cansaço extremo e a necessidade de conciliar a corrida com um trabalho a tempo parcial também tornaram tudo mais difícil. Mas ultrapassar esses momentos tornou este feito ainda mais significativo.


Apoia a associação BIG contra o cancro da mama. Porquê esta escolha?

A BIG contra o cancro da mama é uma causa que me é muito querida. O cancro afeta tantas vidas e eu queria que o meu desafio tivesse um propósito para além de simplesmente bater um recorde. Se a minha corrida pudesse sensibilizar a população e angariar fundos para a investigação sobre o cancro da mama, já teria valido a pena.

Como se preparou fisicamente para este desafio fora do comum?

Já tinha uma boa base na corrida, mas treinar para este tipo de resistência exigia uma progressão gradual da carga. Concentrei-me na consistência, na prevenção de lesões e na recuperação. O treino de força, os alongamentos e uma boa alimentação foram essenciais para manter o corpo a funcionar dia após dia.


E a nível mental?

Sim, a preparação mental foi tão importante como o treino físico. Tive de desenvolver uma mentalidade em que desistir nunca era uma opção. A visualização, a concentração em pequenos objetivos diários e o apoio incrível do meu marido, dos meus amigos e dos meus patrocinadores ajudaram-me a manter-me forte.


Como enfrentou os momentos difíceis?

O apoio das pessoas que me são próximas foi crucial. O meu marido Bruno, os meus amigos, a minha equipa médica e os meus patrocinadores mantiveram-me motivada. Lembrei-me do motivo por que estava a fazer aquilo: provar o que é possível e apoiar a BIG. Nos dias mais difíceis, dividi a corrida em partes mais pequenas e continuei a avançar, um passo de cada vez.

« Para a minha última maratona, escolhi o Topsporthal de Gand, um local ideal para partilhar o esforço, correr rodeada de pessoas e celebrar condignamente este feito


Como escolheu os locais onde corria?

Corri muitas vezes em Gand, na Bélgica, em locais práticos e familiares, geralmente em percursos de 5 km nos quais os outros corredores podiam entrar ou sair facilmente para fazer algumas voltas, além de facilitarem a logística. Para a minha última maratona, escolhi o Topsporthal de Gand, um local ideal para partilhar o esforço, correr rodeada de pessoas e celebrar condignamente este feito.


Como eram organizados os seus dias?

Cada dia seguia um ritmo preciso: acordar, trabalhar de manhã, preparar-me, correr, recuperar, dormir e repetir tudo no dia seguinte. Conciliei o trabalho a tempo parcial e a vida quotidiana com as minhas maratonas, garantindo que tinha tempo suficiente para descansar, alimentar-me e lidar com os meios de comunicação social.


Depois deste feito mundial, qual será o seu próximo desafio?

Depois de um ano tão intenso, estou a reservar algum tempo para recuperar e refletir. Mas adoraria correr o Spartathlon pela terceira vez.